No dia 11 de outubro de 2024, Dan Baron, o eco-pedagogo internacional e co-fundador do Instituto Transformance realizou a segunda parte da oficina EcoPedagogia através das Artes: reimaginando educação no fim do mundo, junto com a Diretoria de Educação Popular na Secretária Nacional de Participação Social (SNPS), na Secretaria Geral da Presidência. A turma de 12 diretores e servidores participou na metodologia que prepara comunidades, lideranças e instituições cultivarem processos de formação, gestão, governança e produção coletivas e colaborativas.
“A metodologia tem sido aplicada em territórios urbanos, rurais, florestais, marinhos, ribeirinhos e desertos”, explica Dan Baron, “por educadores, artistas, gestores, sindicalistas, ativistas, indígenas, ambientalistas, refugiados e prisioneiros, de toda geração e grupos intergeracionais e interculturais, em situações de crise, conflito, pós conflito e pós calamidade. Mas isso foi a primeira vez em 40 anos que realizei uma oficina no coração do um governo federal!”


Dan iniciou a oficina cantando Sonho da Figueira (criado coletivamente por crianças e jovens na comunidade pescadora de Ratones, Florianópolis, em 1998), para definir os objetivos e o ambiente da oficina. Em seguida, ele conduziu uma pré-atividade de sensibilização, a leitura e troca das emoções nos olhos, em dupla, preparação para a ‘escuta com os olhos e com o corpo inteiro’, exigida pela atividade principal, a contação por cada participante da história de seu objeto íntimo, em rodas de 04, na busca de um símbolo coletivo.


“Não é uma roda de conversa espontânea”, explica Dan. “Somos acostumados com diálogos dominados pelos mais experientes e auto-confiantes. Neste processo, estamos escutando historias de vida, sensíveis e profundas, relatadas através de objetos intimos. Cada objeto tem sido escolhido por seu dono em casa, por sua capacidade de simbolizar seu mundo íntimo e social e abordar o tema da oficina. Cada história então merece uma escuta cuidadosa e afiada”.
“O objetivo desta roda é mais de conhecer, ler e entender, sem julgar, o mundo íntimo de cada pessoa na roda, que já é muito!”, sorri Dan. “Demonstro cada passo e atitude para garantir sete minutos para cada história e as perguntas e respostas ela inspira, na sequência do círculo. Destaco a importância de escutar com os olhos, de oferecer com calma uma questão em cada vez (direta e sem comentário, para não dirigir a resposta), ao contador responder. Mas destaco o direito de ficar em silêncio, caso um ouvinte ainda não tem uma pergunta, e simplesmente passar à próxima pessoa. No final de 07 minutos, corto a palavra da pessoa falando em cada grupo para sincronizar-los, e convido os ouvintes agradecerem o contador. Depois convido o próximo contador iniciar em cada grupo, na sequência de sua roda.”

A seleção coletiva do objeto íntimo mais capaz de integrar o significado de todos os outros objetos íntimos é um processo de escuta imaginativa e criativa da proposta de cada participante, na mesma sequência da roda. A escuta afiada, e o princípio que ninguém pode propor seu próprio objeto criam um ambiente de inovação. Cada participante está relendo e ampliando o significado original de cada objeto íntimo, buscando afirmando a essência (de vale ores, narrativas, potenciais), que todos os objetos íntimos tem em comun.
É um processo integrador que soma os significados e os potenciais em um só símbolo, capaz de contemplar todas as histórias e valores presentes. É um ato afirmativo e comunitário, sem disputa e sem voto. “Pela primeira vez na minha experiença,” disse o Dan, “todos os grupos na oficina logo reconheceram e escolheram seu símbolo coletivo, sem necessidade de fazer uma segunda ou terceira roda de escuta. Já encontraram um consenso.”

Dan apresentou o Monumento dos 500 Anos de Resistência dos Povos Indígenas do Brasil (Monte Pascoal, Sul da Bahia, 2001), como um resultado exemplar da metodologia. Ele identificou o arco flecha, plantas de cura, maracá e pedras sagradas como os objetos íntimos dos 2000 Pataxó no Monte Pascoal, integrados na evolução do projeto e sua estética coletivos.
Na roda final, participantes celebraram a participação coletiva, inclusiva, democrática e social, sem a pressão autoritária do xicote do relógio (inscritas de 2-3 minutos que privilegie os mais lúcidos). “A metodologia aproxima e une todos os saberes presentes”, disse Letícia da Educação Ambiental (Ministério do Meio Ambiente) e ensina na prática como tomar decisões coletivas, em vez de votar, rachar e excluir.”
“Nunca acontece conflito na escolha do símbolo coletivo?”, perguntou uma participante. Uma colega refletiu: “Além do ambiente e da moderação, o giro continuo da roda difusa a tensão e dificulta bate-boca. O foco está no objeto íntimo, não no contador. Isso gera distanciamento, tanto para os ouvintes, quanto e em particular, para o contador.”
“Mas o moderador precisa estar sempre alerto”, Dan respondeu na roda,”pronto para intervir e garantir a prática dos acordos iniciais, caso integrantes em qualquer dos grupos não tem a auto-confiança coletiva de intervir ou não conseguem resolver qualquer dominação, resistência, desrespeito, desafio pessoal ou prática autoritária que sempre surge no processo.”
“E qual é a relação entre ecopedagogia, as artes e este ambiente saudável?”, perguntou o Pedro Pontual, o Diretor da Educação Popular, no final da avaliação.
Inspirado pela lucidez da oficina, Dan oferece uma definição: “A ecopedagogia descoloniza e reintegra os ambientes íntimo, social e territorial, através da retomada de nossas linguagens sensoriais, mistificadas como artes. Nesses processos de alfabetização eco-cultural, estamos cultivando relações e territórios de saúde integral. Um símbolo coletivo pode ser um projeto comunitário ou programa nacional de Educação Ambiental, a metodologia de um encontro nacional ou governança participativa.”








































