
O Instituto Transformance: Cultura & Educação, enraizado desde 2009 na comunidade afroindígena de Cabelo Seco, inicia 2026 com o lançamento da tecnologia eco-social Rios de Encontro, após 4 anos de rodas de diálogo online com parceiros juristas, cientistas e terapeutas que culminaram numas rodas na COP30 e na Cúpula dos Povos em Belém.

“Nas Rodas da Cultura Viva, Direitos da Natureza, Ecocídio ao Bem Viver e no VI Fórum Nacional da Educação Escolar Indígena na COP30,” disse Dan Baron, co-fundador do Instituto, “diversos movimentos e gerações das florestas, rios, oceanos, campos e cidades reconheceram a capacidade da metodologia do projeto Rios de Encontro a criar ambientes interculturais de confiança através das artes de teatro, dança e escultura, ao trocar saberes e transformar perguntas inéditas em projetos coletivos e futuros ancestrais.”

A roda Ecocídio ao Bem Viver: Cultura & Educação na Defesa da Mãe Natureza, foi realizada no dia 14 de novembro pela campanha mundial Pare Ecocídio Internacional (SEI) e o Coletivo EcoeBrasil. Surgiu de quatro anos de diálogos entre Jojo Mehta, advogada, co-fundadora e diretora executiva da SEI e o Dan sobre o desafio de inspirar jovens no mundo, isolados, desmotivados e vivendo crises de pânico, imaginarem-se como verdadeiros guardiões do futuro sustentável, livres das mineradoras e petroleiras responsáveis pelo colapso climático.
Com um público de apenas 40 pessoas (estudantes da rede mundial Code Red 4 Climate, juristas locais e internacionais, e uma professora e duas alunas do projeto Viver o Bem Viver da EMEFTI Martinho Motta de Marabá), Dan propôs convidar todos subirem no palco ao formar uma roda que estimularia diálogo. A Jojo confiuou, logo concordou e Dan chamou o Iremar Ferreira (Rio Madeira, RO), defensor dos Rios Pan-Amazônicos cantar a abertura.

Em seguida, Jojo Mehta apresentou a campanha internacional de aprovar um Projeto de Lei que tipifica ‘Ecocídio’ como crime a ser integrado nas leias do Tribunal Internacional de Justiça. No entanto, com tradução consecutiva, a mesa de quatro painelistas levou 80 minutos, então após duas perguntas rápidas, Jojo e Dan cortaram o diálogo entre eles sobre como enraizar a SEI em cultura popular, para que o Dan poderia iniciar sua entrevista das Marabaenses.
“Me apresentei através de um canto Celta” lembra o Dan, “agradeci a SEI pela confiança de se adaptar à roda pública, uma metodologia que vem de 40 anos de projetos participativos, pedi o Code Rede 4 Climate se apresentar, e situei Marabá através de um poema do Rios de Encontro. Minha entrevista começou com a pergunta porque e como a escola está se transformando em um Viveiro Bem Viver?”

Alunas Kaylla Mikaelly e Thainá Oliveira resgatam a pergunta Se o Rio Tocantins Secar? que inspirou e impulsionou o projeto e sua metodologia interdisciplinar de auto-pesquisa, pesquisa dos saberes ribeirinhos locais e vivência de responsabilidade coletiva e de governança participativa. “Usamos dança, canto e poesia,” destacou a Thainá, e pintamos escamas do peixe Tucunaré com grafismo do Povo Gavião para sensibilizar outras turmas na escola e encantar nossas famílias, as motivando resgatar nossos quintais de plantas medicinais”.
Abriu a pergunta sobre os impactos ecoculturais do projeto na motivação tanto nos estudantes, quanto nos professores e nas relações entre ambos. Encerraram a entrevista de 30 minutos com o poema coletivo do projeto. Choveu perguntas.

“A transição de um painel formal à uma roda pública desorientou a tradutora no início,” sorri a Jojo, “mas painéis sempre ultrapassam e cansam. O importante é vi como o círculo engajou todos, facilitou os relatos pessoais das alunas e gerou curiosidade, perguntas e motivação.”

Jojo continuou: “Ouvi como a ameaça ao Rio Tocantins motivou todos os alunos pesquisarem em casa, na comunidade e universidade os impactos do programa industrial do governo e como transformar o perigo ecológico em um projeto de cuidado, reciclagem de chuva, separação de resídios, criação de viveiros de peixe e plantas medicinais; e inspirou pesquisa sobre como o Rio Laje ganhou seu direito. Aprendi tanto! Fiquei encantada!”

Na breve conversa depois, umas estudantes do Code Red 4 Alerta comentaram quanto o projeto havia transformado a educação formal, deprimida de tanta desistência e pânico, em uma colaboração viva entre a escola e sua comunidade, liderada pelos adolescentes como protagonistas na proteção do equilíbrio saudável entre o Rio Tocantins e seu futuro.

Dan participou no Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza e no Tribunal dos Povos Contra Eco Genocídio. “Ambos valorizaram histórias pessoais e rituais diversos como saberes, moderados com cuidado. Mas o que chamou atenção foram testemunhas que integraram as artes como evidência ecosocial ancestral e contemporânea,” anotou Dan.

A diretoria da Aliança Global de Direitos da Natureza (GARN) iniciaram o painel Sentir-Pensar a Natureza: Caminhos de Bem-Viver e Dignidade Planetária com uma oficina correalizada por Naiara Tukano e Dan Baron da ABDN. Dan coordenou uma roda de 60 lideranças que trocaram histórias de raiz em dupla e dissolveram séculos de silêncio pós-genocídio e escravização numa Dança da Terra.

Numa oficina de formação para coordenadores regionais do Pontão de Cultura Viva, a metodologia foi adaptada para criar uma roda ao imaginar projetos eco-comunitários. Em ambas, tempo apertado tenso foi transformado em tempo de ócio, participativo e calmo.

“Durante a pandemia, refletimos sobre nossa metodologia,” explica a Manoela Souza, cofundadora do Instituto, “como cada jovem descobriu sua voz e transformou cada desafio íntimo em microprojeto coletivo. Nas primeiras rodas virtuais do Ecocídio ao Bem Viver, dirigentes dos movimentos sociais, de governos municipais e estaduais, e de redes mundiais escutaram os relatos dos jovens do Coletivo AfroRaiz sobre sua formação contínua ao longo de 12 anos.

“Todos ficaram fascinadas pelo Coletivo contando como se transformaram na rua e na praça de crianças caladas e excluídas em artistas internacionais, produtoras, gestoras e coordenadoras de microprojetos comunitários, tudo motivado na defesa dos Rios Tocantins e Itacaiúnas, do Pedral do Lourenção e de uma Amazônia Bem Viver”.

“Artistas da África, Ásia, América Latina e Europa na roda de diálogo online que haviam participado nos anos entre 2010 e 2019 em Cabelo Seco como artistas em residência relataram como, na volta à seu país, criaram seu próprio Rios de Encontro,” anotou Dan Baron.
“Desde 2022, me especializei em terapias integrativas, corporais e aquáticas” relata a Manoela, “para me dedicar a uma nova fase de cuidado das necessidades reveladas ao longo de 12 anos de convivência em Cabelo Seco. Paralelamente, o Dan acompanhou cada artista de nosso Coletivo AfroRaiz na realização de seus primeiros projetos autônomos de dança, percussão e música de raiz, convidados por pedagogas nas escolas, universidades, comunidades e movimentos locais.”

“Um convite se destacou,” Dan anota, “pela diretora da Escola Martinho Motta, a Cristina Arcanjo, a fim de sensibilizar seus adolescentes e docência sobre a arte educação comunitária sendo realizada na margem do Rio Tocantins. Foi a primeira vez uma diretora da rede pública quis realizar um projeto político eco-pedagógico, bem na transição à educação integral em tempo integral”.

Das vivências com os professores surgiu o Iº Seminário ‘Viver o Bem Viver’ na Martinho Motta, inspirou convites à escola participar na Sessão Especial do Bem Viver na ALEPA, 2024, na I Conferência ConClima da Cãmara dos Vereadores em Marabá, num Seminário Nacional de Saberes Tradicionais do MinC e num Festival Cultural de Infância e Natureza do MEC.

O projeto estava respondendo à uma pergunta focalizada no final de 2024 pela da Alanes Yanca, jovem arte educadora do Rios de Encontro, convidada pelo Dan Baron ajudar na coordenação de oficinas de formação em Eco-Pedagogia através das Artes para 36 gestores/as de 11 ministérios e programas nacionais, realizadas pelo Instituto junto com a Secretaria Nacional de Participação Social na Secretária Geral da Presidência. “É possível transformar uma instituição educacional em um projeto cultural comunitário?”

“Estamos confiantes,” afirma Dan Baron, “que a metodologia evoluída durante 12 anos de parceria com a comunidade Cabelo Seco está pronta para ser lançada como uma tecnologia ecosocial no dia 01 de Maio, o 25º aniversário de nosso Instituto. Estamos co-idealizando um curso de formação junto com a Escola Martinho Motta e uma Assembleia vivêncial na Câmara dos Vereadores para popularizar a relação entre eco-pedagogia a partir das artes, direitos da natureza e terapias integrativas, e demonstrar como adaptar a tecnologia ecosocial a qualquer contexto socioambiental ao transformar escolas urbanas em Viveiros Bem Viver, comunitários e sustentáveis.”







































