
O Instituto Transformance realiza nesta quinta-feira, 15 de outubro, às 20h, uma roda de diálogo online e na Casa dos Rios, em Marabá, para celebrar o Dia Nacional do Professor. Com o tema Reimaginando a Escola como Viveiro Bem Viver, numa época da maior seca na história da Amazônia, o encontro propõe uma reflexão sobre eco-pedagogias através das linguagens das artes, cura e direitos da natureza, dentro de um projeto que prevê ações em escolas e a construção coletiva de propostas políticas para transformar a educação.
O projeto Viveiro Bem Viver foi contemplado pelo edital estadual Fomento a Projetos Continuados de Pontos e Pontões de Cultura 2025, com atividades previstas de novembro de 2026 até o final de junho de 2027. A iniciativa reúne experiências sustentadas de educação, arte e diálogo intercultural realizadas pelo Instituto nas cinco regiões do Brasil, todas sofrendo múltiplas crises causadas pelo paradigma de desenvolvimento competitivo e devastador.

No dia 15 de julho, Dan abriu o 2º Encontro de Saberes das Matrizes Amazônicas com uma vivência de duas tardes no SESC Marabá, Cultivando e Cuidando de Futuros Sustentáveis.
“Queremos aplicar a metodologia dialógica da alfabetização intercultural,” disse Mestre Wertemberg Nunes do Instituto Pontal, Pontão da Cultura “após nossa vivencia na COP 30 em Belém, 2025. O diálogo em dupla, no processo de lavar as mãos com água imaginária, para ler, conhecer e cuidar da ‘paisagem íntima’ da outra, reconhecendo e entendendo os diálogos entre territórios, marcou todos nós.”

Dan explica que durante duas tardes úteis, mesmo sob pressão na vida, 12 dos 50 inscritos conseguirem realizar quatro das oito horas agendadas. “A roda gerou calma, troca de projetos em seis duplas, três novas propostas coletivas em grupos de quatro”.

O minicurso encerrou com uma avaliação coletiva: “Essas metodologias dialógicas tem de entrar na sala de professores e na sala de aula de cada escola em Marabá,” a Diretora Cristina Arcanjo da escola Martinho Motta afirmou, “onde prevalece uma cultura de disputa, pressão, impaciência, frustração, pânico e pessimismo”.

No dia 19 de agosto, data da retomada do território indígena do Monte Pascoal no extremo Sul da Bahia em 1999, Dan participou na celebração dos 25 anos desde a construção coletiva por 2000 Pataxó do Monumento de Resistência dos Povos Indígenas do Brasil. As lideranças Pataxó anotaram com prazer a presença de um cokar e um maracá do Monte Pascoal nas ‘cápsulas de diálogo’ no novo monumento ‘Pontes de Esperança’ na UFSC em Florianópolis, Santa Catarina.

“Filmando o ritual Pataxó dentro no monumento,” disse Dan, “percebi o movimento anti-horário de sua dança, confirmando nossa pesquisa durante a criação do monumento ‘Pontes de Esperança’. O sentido anti-horário do espiral reduz o pulso do coração, gera reflexão e salta memória, sonhos e autoconfidança. Na roda sem microfone, jovens Pataxó denunciaram pela primeira vez a mineração das terras raras e afirmaram os direitos da floresta.”

No dia 15 de setembro, Dan e advogada indígena Naiara Tukano do Alto Rio Negro, Amazonas, ofereceram a oficina ‘Espiritualidade, Corpo e Reconexão com a Natureza’ no 1º Seminário Nacional de Educação Popular e Educação Ambiental, realizado pela Articulação Brasileira pelos Direitos da Natureza na Universidade Católica de Pernambuco, UNICAP.

A Naiara abriu a oficina narrando a visão da criação de seu Povo Yepâ Masa. Depois convidou quem quiser tomar um banho de ervas se levantar enquanto ela circulou, anti-horário. 90 minutos depois, a Naiara passou a palavra ao Dan que organizou a roda em 26 duplas.

Em três processos dialógicos, Dan orientou as duplas na criação de um ambiente dialógico de escuta e calma através de cuidado energêtico, de leitura da paisagem íntima nas mãos de sua dupla após uma lavagem com água imaginária, e de pintura no ar com pinceis imaginários, em câmera lenta, a paisagem da primeira casa.
“Colaborando contigo, Naiara,” Dan refletiu alto, “vivenciei pela primeira vez as narrativas de lavar as mãos e do movimento dancante de pintar a paisagem, na voz poêtica e nos gestos Tukanos.”

“Caiu a ficha!,” celebrou o Dan. “As artes são muita mais de linguagens sensoriais. São tecnologias, evoluídas ao longo da plena história da raça humana! Igual com a pegada do pé na terra! São tecnologias ancestrais.”
“Além de vivenciar tempo dialógico e solidariedade generosa na busca de memórias cientes e memórias inconscientes, guardadas nos gestos e nos silêncios em movimento,” avaliou a Manoela Souza, diretora atual do Instituto Transformance e co-coordinadora do projeto Viveiro Bem Viver. “Os participantes vivenciaram o cuidado, escuta, carinho, reconhecimento e novas perspectivas interculturais. E no ‘fim do mundo’, quando o tempo humano está em alto risco, a oficina de 90 minutos para cada dupla tem gerado 1800 minutos de diálogo audível (público) e 3600 minutos de diálogos inaudíveis (internos)!”

“A metodologia da oficina se destacou na programação de três dias, 4 mesas de 2 horas cada dia, e 4 à 6 palestrantes de 20 minutos, cada”, anota Dan. “Apesar das apresentações lucidas, relevantes e diversas, todos os palestrantes sofreram o chicote do tempo apertado de uma pedagogia monológica, e a plateia se refugiu no metro quadrado da sua cadeira, cativada pelos diálogos íntimos na palma de sua mão.”

A identificação, descolonização e cura das sequëlas de séculos de genocídio, escravização, exclusão, pobreza e cumplicidade tem sido focos prioritários na criação coletiva dos espetáculos teatrais de dança e percussão afro-amazônicas contemorâneias do projeto Rios de Encontro. Desde a pandemia, a Manoela vem se formando em terapias aquáticas para tratar estas sequelas e os efeitos da vida em crise hoje. Oferecerá primeiras experienças e dança terapia para as parceiras escolares e comunitárias do Projeto, na Vivência para Formadores de 08 horas, na ‘piscina de cura’ na Casa dos Rios.

O Curso de Formação Eco-Pedagógica através das Artes de 60 horas sera co-gestado pelas formadoras das três escolas parceiras do Instituto, EMEITI Martinho Motta, Irmã Teodoro e Carlos Marighella, idealizado para o primeiro semestre de 2027, que culminará na produção de maquetes do Viveiro Bem Viver.

Dan Baron apresenta o 8º livro-calendário do projeto Rios de Encontro (2009-21) e o livro ‘Colheita em Tempos de Seca’ (Vozes do Campo, Unifesspa, 2004-11) como recursos ecopedagógicos disponíveis à SEMED, a Coordenadora de Escolas Integrais Sílvia Luz, num triálogo gestor com a Cristina Arcanjo, Diretora da Escola Martinho Motto.
O projeto encerrará com o X Festival Bem Viver que integrará debates dialógicos de reflexão, uma feira de projetos arquitetônicos coletivos, maquetes do Viveiro Bem Viver, nas escolas, e uma grande roda na Câmara de Marabá e na ALEPA, que contempla como transformar em grande escala e financiar o projeto piloto em uma proposta de programa nacional.
































































