No sábado passado, o 2° Festival Beleza Amazônica realizou uma grande festa das artes com a participação dos músicos Claubert Martins, Javier de Mayrabá, mestre Zequinha Sousa e Reinaldo do Amapá, e dos grupos Cia AfroMundi, Boi ‘Flor do Campo’ do bairro Liberdade e as Latinhas de Quintal, diante um público de 350 pessoas.
As contribuições musicais demonstraram à platéia comunitária do Cabelo Seco sobre o grande respeito que a cidade de Marabá tem hoje pelas suas raízes vivas e pelo nosso projeto Rios de Encontro. As músicas sensíveis e reflexivas buscaram responder à questão lançada no início da festa: Que Amazônia vai nos sustentar? e presenciaram a memória da luta cultural e social no palco caseiro na pracinha Francisco Coelho, em baixo de uma árvore embelezada.
A Cia. AfroMundi optou em lançar o seu primeiro espetáculo ‘Raízes e Antenas’ no Cabelo Seco como uma grande afirmação de suas raízes, mas com celulares ligados, iluminando seus rostos e corpos viciados com a busca permanente de contato social e informação.
Fruto de dois anos de pesquisa e baseado nas histórias cruzadas da vida dos quatro integrantes da companhia e nas colaborações com coreógrafos profissionais da África, Ásia Pacífica, América Latina e Europa, o espetáculo narrou as lutas dos jovens para sua própria identidade independente num mundo insustentável.
Com aplausos depois de cada cena, de uma platéia de todas as gerações, o quarto e último ato do espetáculo responde poeticamente a pergunta chave do festival. A vida de cada personagem acelera enlouquecidamente ao mesmo tempo que as águas acabam. Com a temperatura aumentando, os dançarinos largam suas roupas e no final, sem água, caem inertes. No final, só a raiz cultural, enterrada na Mãe Terra, tem a capacidade de resgatar a memória, a humanidade e o futuro da comunidade.






