Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, encerrou a terceira semana do V Festival de Verão com seu IV Festival de Pipa e sua X bicicletada pela vida, ‘Quero Viver Bem’.
A terceira semana do festival se destacou com o mini-curso de formação em teatro comunitário para as jovens artistas do AfroRaiz, ministrado pelo holandês Sem Jonkers da Universidade de Amsterdam. “Sem resgatou memórias pessoais de nossas jovens coordenadoras sobre a praça de Cabelo Seco,” disse Manoela Souza, coordenadora do Festival. “Depois, criou uma roda de memória sobre o espetáculo de terror que o exercito brasileiro montou na Praia de Tucunaré na época da Guerrilha de Araguaia, narrado pelo mestre de cultura, Zequinha Souza, quando tinha 18 anos de idade. Finalizou com as vozes da própria praia, imaginadas pelos jovens atores, e um ritual profundo de suas promessas de cuidar da vida da praia e do Rio Tocantins.”
Na quinta, dia 26, o Projeto realizou sua Festival de Pipa, com 180 participantes da comunidade, coordenado pelo artistas de AfroRaiz. “Um jovem de 15 anos me ensinou criar uma pipa e uma adolescente de 12 anos, como a empinar,” disse Sem Jonkers. “Mas é muito mais de cada um cuidando de sua pipa. O projeto transforma a cultura popular em pedagogia inovadora, com duplas ensinando e aprendendo juntos, cooperando e concentrando, sem supervisão. Lotou a Casa dos Rios! É evidente que as crianças e adolescentes adoram estar em ‘comunidade’. E o céu encheu com umas 120 pipas! Consciência ambiental sem palavras!”
A coordenação do festival e a do acampamento Hugo Chaves do MST adiarem a oficina de dança-percussão para famílias do MST quando receberam notícias da violência por pistoleiros. “Opomos toda violência, na busca de uma cultura de paz”, explicou Dan Baron, coordenador internacional do projeto. “Sem querer expor nossos jovens a tanto perigo, dedicamos nosso tempo a divulgar a violação de direitos humanos e da democratização da terra para nossos parceiros internacionais.”

Estudantes de Artes Visuais realizam uma roda de perguntas e reflexão no final de uma manhã com Sem Jonkers.
Ontem, a Graduação de Artes Visuais intervalar recepcionou Sem Jonkers na Unifesspa, numa roda de 3 horas. “Além de conhecer a metodologia do como dar voice aos escravizados e calados na história negra e valorizar a memória para evitar a volta de fascismo no presente”, refletiu Isabela, “através das perguntas solidárias do Sem, nos nós enxergamos, como amazonidas sem memória histórica ou valorização de nossa riqueza. E Sem enxergou-se, através de nosso olhar idealizador sobre Europe. Ficamos impressionados que o desmatamento aqui vem contribuindo aos incêndios e enchentes atuais na Europa!”

Rerivaldo Mendes leva Sem Jonkers e uma nova bicicleta doada por amigos holandeses solidarios para convidar Cabelo Seco ao Festival da Pipa.
A bicicletada “Quero Viver Bem” aconteceu no dia 31, pedalando a comunidade Bela Vista que a recepcionou. No próximo post, vamos compartilhar como foi. As duas bicicletas impactaram muito, como demonstrações de como o projeto incentiva e cultiva solidariedade internacional!





