Coletivo AfroRaiz inspira ‘bem viver’ na Europa

A criança Katrine mostra um peixe morto à jovens mais preocupados com seu retrato coletiva do que como ler os sinais do colapso climático e intervir.

AfroRaiz se retrata em Bruxelles com grande teatro educadora e colaboradora, deputada Julie Ward, do Parlamento Europeu.

O Coletivo AfroRaiz voltou na semana passada, concluindo sua turnê europeia do espetáculo Rio Voador em Frankfurt, Alemanha, no IX Fórum da Aliança Mundial pela Arte Educação. A turnê de dois meses é a culminância de onze anos de formação artística e eco-pedagógica do projeto Rios de Encontro, da comunidade Cabelo Seco, que defende a Amazônia através das artes e afirma o projeto ‘Bem Viver’ como proposta mundial alternativa para futuros sustentáveis.

AfroRaiz encerra a apresentação ‘Rio Voador’ com um grito afro-brasileiro de Axé e o público respondeu sempre com perguntas sobre como defender Amazônia.

“Olhando para os dois meses”, reflete Camylla Alves, 23 anos, dançarina e fundadora da Cia de Dança AfroMundi, “nossa visita para a Escola Europeia em Bruxelas me marcou muito, tanto pela motivação política quanto pela inteligência socioambiental que inspiramos na roda final das três apresentações. Mais de 2000 lideranças futuras, todos filhos de deputados do Parlamento Europeu ou institutos socioambientais, ficaram tocados por nossa experiência autêntica da Amazônia, e pelo poder de dança e percussão estimular múltiplas interpretações abertas, sem direcionar.”

Rerivaldo Mendes pega o microfone na roda final após a apresentação. O Coletivo cuidou de passar o microfone para cada integrante, para celebrar a diversidade de vozes.

“Nossa oficina para alunos portugueses (e afro-descendentes de Guine Bissau, Angola, Moçambique e Cabo Verde)”, continua Camylla, “foi uma profunda convivência de descolonização! Bisnetos dos escravizados e sobreviventes de genocídio, ensinando dança e percussão afro-indígenas para bisnetos dos colonizadores! Não usamos Português. Encantamos, sensibilizamos e cicatrizamos!”

Camylla Alves abre a oficina descolonizadora de Rio Voador. A coordenação coletiva foi dividida entre dança e percussão com coragem criativa.

“Os dez dias que passamos em Wroclaw, Polônia”, lembra Rerivaldo Mendes, 23 anos, percussionista e coordenador de Rabetas Vídeos, “foi uma experiência única de integração cultural. Jovens de Palestina, Espanha, Polônia e Brasil, incluindo vários com necessidades especiais, contribuíram cenas para um espetáculo Pela Terra de 40 minutos, inspirado por nossa presença e o atual colapso climático. Vivemos a diversidade, e comunicamos através das artes, aprendendo coreografias, músicas e cenas da vida de cada cultura.”

AfroRaiz abre o projeto Brave Kids Together em Wroclaw, Polônia.

O palco inteiro se transforma em águias amazônicas para cicatrizar e transformar o futuro.

AfroRaiz apresentou em Hamburgo e numa vila rural, Haldemuhle, na Alemanha, antes de abrir um fórum mundial da Aliança Mundial pela Arte Educação, em Frankfurt. “Os jovens de Cabelo Seco inspiraram lideranças das artes educação de 30 países”, celebra Dan Baron, co-fundador do Rios de Encontro, “pela excelência artística e maturidade intelectual. Mostram porque educação para todos deve ser enraizada nas artes e culturas populares”.

As artistas de AfroRaiz desmaiam uma após a outra, na cena do colapso no espetáculo ‘Rio Voador’, revelando a realidade climática na Amazônia hoje e amanhã.

“Nossa apresentação final no fórum mundial”, Dan concluiu, “mudou os debates sobre educação pela sustentabilidade. A plateia inteira dançou no final, quando a energia afro-indígena inunda o auditório e transforma espectador em ator coletivo. Reitores universitários, diretores de escolas e educadores comunitários admiraram em particular a roda final de perguntas para os jovens, porque revelou que cada integrante tem sua perspectiva lúcida própria, entende a força transformadora das artes na vida, e fala com autoridade sobre Amazônia, e porque o mundo precisa abraçar o bem viver, todo dia!”

Após de apedrejar a inocência, a comunidade refugiada de Cabelo Seco assista a criança (Katrine) destruir sua pipa de esperança. Sua ação provocou gritos de susto nas plateias e uma intervenção pelas águias protetoras da Amazõnia.

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