
O CD ‘Deixe o Rio Passar’ é fruto do segundo reconhecimento de ‘Zequinha de Cabelo Seco’ como Mestre pelo Ministério da Cultura (2018-19) pela sua dedicação contínua às novas gerações, como músico e poeta pela vida da Amazônia. Já está em fase de lançamento virtual, em tempos de pandemia, nas principais plataformas digitais de música mundiais.
Ao longo dos 10 anos (2009-19), Mestre Zequinha Sousa, compartilhou seus saberes com centenas de crianças e adolescentes na comunidade e nas escolas públicas da Marabá Pioneira, e com a população de Marabá em organizações e instituições culturais, sociais e educacionais.

Zequinha toca no primeiro ‘Quintal da Cultura’, Cabelo Seco 2009
Zequinha participou ativamente, junto com Dan Baron (idealizador, poeta e eco-pedagogo) e Manoela Souza (gestora e arte educadora) na criação de 03 CDs de Música, como músico, mestre e músico educador: Vozes do Campo em colaboração artística com a primeira turma de Pedagogia do Campo (Unifesspa 2011) de Marabá e Região Sul e Sudeste do Pará; Amazônia Nossa Terra, com os arte educadores do Rios de Encontro e o grupo cultural Latinhas de Quintal, fruto da dedicada maestria e educação musical e ambiental com crianças e adolescentes da Comunidade Cabelo Seco com músicas de sua autoria e de criação coletiva (2013); e Deixa o Rio Passar (2020).

Zequinha toca no Congresso Mundial de Teatro Educação, em Belém, 2010.
Plantou as primeiras sementes do Projeto Rios de Encontro na Comunidade Cabelo Seco, ainda em 2009, com sua sabedoria enraizada na cultura ribeirinha e nas raízes afro-indígenas e amor visionário pela Amazônia e seus rios, na sensibilidade de seu pai pescador e sua mãe benzedeira, que o fizeram desde a adolescência aprender a linguagem musical e com os anos a arte de contar histórias e compartilhar memórias da vida da Comunidade e da Cidade. Hoje as crianças de 2009 se tornaram jovens adultos artistas, arteducadores e embaixadores amazônicos, assumindo novas responsabilidades dentro do Projeto Rios de Encontro, levando consigo a sabedoria de seu mestre! Zequinha Sousa foi reconhecido como Mestre duas vezes pelo Ministério da Cultura, em 2013 e 2018 pela continuidade de formação às novas gerações, e pela Fundação Cultural do Pará, em 2015.
Hoje é reconhecido como Mestre por onde estiver em Marabá e egião, pelo país e até internacionalmente quando esteve em Medellin, Colômbia (2011) e Nova Iorque, Estados Unidos (2015) sempre acompanhado com as crianças, jovens e coordenadores do Rios de Encontro, e durante as residências artísticas onde colaborou com artistas da Holanda, Nova Zelândia, Nigeria, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Peru, impressionados por sua generosidade, simplicidade e capacidade poética e criativa.

Zequinha celebre a criação da Universidade Comunitária dos Rios (2014), como reconhecimento da sabedoria ribeirinha popular na Amazônia.
“Desde a primeira vez que escutei a música Alerta Amazônica na noite inaugural do projeto Rios de Encontro, na praça lotada de dezenas de crianças de Cabelo Seco, reconheci a rara sintonia estética entre uma sensibilidade literária e uma consciência ribeirinha, pulsando em Zequinha, que surge de uma precisão poética e analítica, enraizada em seu amor pelo verde e sua indignação sobre a violação dele. Zequinha pegou meu primeiro poema do projeto, Cabelo Seco, e em um dia, integrou todas nossas conversas sobre a política atual, Cultura Viva, e criou nosso ‘hino’ Cabelo Seco. Fiquei impressionado pela simplicidade enganosa que mascara uma profunda compreensão sobre a relação cultural entre língua, ritmo e musicalidade que nenhuma formação artística formal possa ensinar.
Essa sensibilidade erudito-popular também é permeada pelo amor e prazer que o poeta e cientista Zequinha sente para a cultura culinária e biodiversidade da região. Manifesta-se também na sua humanidade pacífica, presente na letra da música Para o Trem, quando o músico leva sua crítica do modelo predator e ganancioso do ‘desenvolvimento’ em solicitação empática e aberta “por favor”, ao condutor ou aos responsáveis pelo trem de destruição. Ao longo de nossa colaboração artística de sete anos, desde a revisão de letras até as decisões sutis nos processos das gravações e idealização dos CDs, só lembro de uma manifestação de fúria, na música Clamor Popular, quando Zequinha antecipou a destruição irreversível da Amazônia. Nesses momentos de desespero e impotência, sustentamos nossa motivação imaginando esse CD nas mãos das gerações futuras, mantendo vivas as sabedorias, éticas e riquezas populares, guardadas nas suas músicas como evidência da resiliência e humanidade de seus antepassados, solo fértil do imaginário amazônico de bem viver.”
Dan Baron, Dezembro, 2020

Zequinha participe no retrato do lançamento da Universidade Comunitária dos Rios, junto com Dan Baron, Dr Alixa Santos (Unifesspa), o Secretario da Cultura, Dr Ralph Buck (Nova Zelândia, Presidente da WAAE), e Manoela Souza (2014).
Esperamos que o Setor Municipal Cultural de Marabá possa em breve também oficializar este reconhecimento, tão merecido ao Filho e Mestre de sua terra!
Curte as músicas do CD aqui: https://www.deezer.com/en/artist/89600672
Compartilhe com sua rede: