O projeto Rios de Encontro foi aplaudido de pé por lideranças políticas e gestores de cultura e educação de quarenta e sete países no Encontro Mundial da Aliança Mundial pela Arte Educação, realizado em Munique, Alemanha, na semana passada, pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e o governo federal da Alemanha. Reunidos para discutir o papel da arte educação na gestão de cidades criativas e de futuros sustentáveis, os dirigentes parabenizaram o projeto sócio-educativo de Cabelo Seco por seu compromisso com o cuidado com o patrimônio natural e diversidade cultural da Amazônia.
Breatrice Ayl – Gana – Universidade das Mulheres, Texas, EUA, recebe o CD e Calendário do Rios de Encontro
Apresentamos um video sobre a proposta cultural e educativa do projeto, e logo em seguida, destacamos a relação entre o alto índice de violência doméstica, ligada com narcotraficantes, e a violência de um modelo econômico que vem destruindo os rios, as florestas e as culturas populares desta região, em nome de desenvolvimento e preservação. As lideranças já eram bem preocupadas com o descuido imenso do governo brasileiro e paraense em relação a industrialização do sudeste do Pará, mas ficaram impressionados com os jovens artistas, atuando como gestores e lideranças na sua comunidade e escola, e sua atitude de somente apresentar nos palcos independentes das mineradoras e governantes responsáveis. Muitos choraram em gratidão, comentando no debate que seguiu quanto a vida do mundo está sendo ameaçada pelo desequilíbrio socioambiental causado por políticos desta região.
Governantes, gestores e arte educadores de 47 países dialogam em Munique sobre a apresentação ‘Amazônia Nossa Terra’
Não precisava explicitar as relações entre as múltiplas camadas de violência econômica, social e política e suas seqüelas físicas, emocionais e psicológicas. Reuniram-se exatamente por que sabem que hoje, a violência atende não somente aos bairros mais vulneráveis e excluídos, mas a todos os setores da sociedade. Sabem até bem melhor de que os governantes nos países ‘em desenvolvimento’ que, iguais com rios industrializados, raízes culturais cortadas não se recuperam facilmente, e ambos vão gerar uma praga de violência social. Por isso, ficaram atentos ao nosso projeto que oferece uma proposta relevante e madura que seus países carecem.

