Silêncios preocupantes atrás das batucadas

Elisa Neves toca com Levante Popular no ato nacional #elenáo organizado por mulheres unidas contra Bolsonaro.

Jovens arteducadoras de Rios de Encontro, o projeto ecocultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco, contribuirem ao ato nacional ‘#elenão’ do sábado passado, organizado por mulheres unidas à defesa dos direitos humanos e da democracia no Brasil. No mesmo dia, o projeto recebeu notícias que foi selecionou como um dos 10 finalistas do prêmio Itaú Unicef por sua ação comunitária “que oferece proteção social através da educação integral”.

Rerivaldo Mendes coordena Cine Coruja na pracinha do PAC onde aconteceu a ‘intervenção’ policial.

Elisa Neves (21), co-coordenadora do projeto premiado Salus: hortas de medicinas tradicionais, e do Coletivo AfroRaiz que coordena Gira-Sol: energias de gestão transformadora, é liderança de referencia no movimento estudantil Levante Popular que contribuiu a dimensão artística ao ato #elenão. “Apesar de ser oito meses gravidada, fiquei quatro horas em pé, tocando o tambor no coletivo que comunica ideias de justiça e transformação sociais através da arte. O impacto nas 1500 pessoas que participarem me emocionou! Todas as gerações, géneros, raças e classes, unidas e motivados pela cultura popular!”.

Rerivaldo e Evany (coordenadora do Salus) entreguem plantas medicinais às mães e crianças do PAC.

Rerivaldo Mendes, coordenador do Coletivo Rabetas Videos premiado pelo Ministério da Cultura, cujos videos alcançarem 3 milhões de visualizações no YouTube nessa semana, filmou o ato, junto com Dan Baron, coordenador internacional do Projeto. “Esperava uma manifestação bem menor e de muito discurso. O que se destacou foi a batucada e parodia do Levante, que transformou política pesada em energia de esperança e vontade coletivas. Estou editando o vídeo do ato que terá talvez a maior importância de todos que já produzimos.”

Dan Baron comenta: “Anotei que o ato #elenão contra o candidato Jair Bolsonaro, não foi reportado pelos jornais da região. Concentraram ontem sobre a ação policial realizada na madrugada no Residencial de Itacaiúnas (PAC) em Cabelo Seco. A coragem e energia lúcidas do ato organizado pelas mulheres de Marabá foram inspiradoras. Mas sai refletindo também sobre o silêncio da grande maioria que não participou. Nos Estados Unidos (EUA) também tinha um movimento #elenão (#nothim) contra o candidato machista, homofóbico e racista, Donald Trump. A população sob-estimou a força de voto calado de protesto contra a corrupção, a insegurança econômica e a violência pulsando nas escolas e bairros.”

A participação liderança juvenil gerou uma energia inspiradora. Mas até que ponto representou a maioria calada e ‘cúmplice’?

O primo do Rerivaldo, Douglas ‘Tati’ Tavares foi um dos dois jovens matados pela Companhia Independente de Missões Especificas (CIME) na madrugada de Sábado, numa “intervenção” militar para desarticular um braço do Comando Vermelho. Dan Baron visitou o local minutos depois: “Muitos crianças e jovens do PAC participem na nossa biblioteca Folhas da Vida, Cine Coruja e Festival da Pipa, e testemunharem o que enxergarem como ‘execução de jovens menores, enquanto estavam dormindo’. Todos sairem traumatizados pela agressão, mas tem medo de desmentiram a versão policial que apareceu na televisão e no jornal. Rios de Encontro existe para garantir proteção social através de projetos socioeducativos às comunidades mais vulneráveis e estigmatizadas.”

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