Os jovens arte educadores do Coletivo AfroRaiz que coordenam o projeto Rios de Encontro da comunidade Cabelo Seco, levaram eco-pedagogia ao Ato em Defesa da Educação Pública e à escolinha Theodoro de Mendonça na comunidade. Paralelamente, o projeto contribuiu à formação de estudantes de engenharia na Unifesspa e lançou questões eco-pedagógicas sem respostas no Encontro de Deputados Estaduais e Vereadores em Itupiranga dos sete municípios se preparando para a derrocada do Pedral do Lourenção.
“Com orgulho, abrimos o Ato contra as cortes da educação pública”, disse Elisa Neves do AfroRaiz. “Nunca vi tantos cartazes filosóficos e poéticos escritos a mão, mostrando nossa riquíssima diversidade africana, indígena, europeia e de orientação sexual. Vi alunos e estudantes cantando filosofia, sociologia e psicologia, caminhando com livros de Paulo Freire, Florestan Fernandes e Darcy Ribeiro no ar, valorizando educadores brasileiros respeitados pelo mundo inteiro. E o Presidente do Brasil vem nos xingando como ‘idiotas úteis’ ao mundo, bonecos manipulados por uma minoria extrema, sem consciência própria. Cade seu orgulho brasileiro e ética exemplar?”
“Elisa traz ritmos de liberdade ao movimento estudantil Levante Popular”, disse Manoela Souza, gestora cultural do Rios de Encontro, “afirmando energias de raiz como projeto popular de celebração, em vez de militarização das escolas, casas e ruas. Uma dúzia de jovens percussionistas virou pulso de mais de 3000 defensores de educação gratuita e de qualidade amazônica!”
“Através do resgate de nossas raízes culturais adormecidas, aprendemos uma forma de defender os Rios Tocantins e Araguaia, sem acusação ou ódio”, disse Évany Valente, percussionista do AfroRaiz. “Essa eco-pedagogia na rua e na escola virou um reflexo de como ler e cuidar do mundo, para sustentar a vida.”

Emprese Junior de Engenharia ajudou Amazon Solar, graduados do GEDAE na UFPA, na primeira fase de instalação em 2017.
Fundadores do Projeto, Dan Baron e Mano Souza reuniram com a Direção da Empresa Junior de Engenharia Elétrica na Casa dos Rios na quarta-feira para planejar a instalação de um sistema de energia solar, doado por parceiros do mundo. “Planejamento técnico virou um diálogo sobre cuidado socioambiental”, disse Dan. “Transformamos pânico sobre colapso climático em projeto eco-pedagógico, de como cuidar de nossa região e inspirar parcerias locais e internacionais. Queremos transformar cada escola, universidade, posto de saúde e delegacia de Polícia em um laboratório solar, de segurança do futuro para todos.”
“Escutei os conhecimentos geológico e eco-pedagógico dos professores Leonardo Brasil e Cristiane Vieira de Cunha da Unifesspa que me levaram ao Encontro em Itupiranga”, disse Dan. “Perguntei para os governantes se haviam procurado pesquisa científica amazônica e independente antes de decidir derrocar o Pedral, para verificar a viabilidade ambiental do projeto, e evitar o aumento do ecocídio regional e mundial atual. Nenhum politico respondeu. Mas de repente, Professora Cris pegou o microfone e com coragem, leu a lúcida carta O Clamor do Lourenção! da comunidade ribeirinha Tauiry!”

Professora Cris Cunha da Unifesspa le a Carta O Clamor do Lourenção elaborada pela Comunidade Ribeirinha Extrativista Vila Tauiry (abril 2019).
“Marabá já é um dos poucos municípios no pais com um Projeto Político Eco-Pedagógico, mas a Semed não sabe como o implementar. Com maior concentração de florestas, rios e aquíferos no mundo, Pará já é gigante. Nossa região tem a sabedoria e a oportunidade de tornar-se líder mundial de responsabilidade ambiental.”






