Cabelo Seco ganha seu primeiro Festival de Verão no dia 07 de junho.

O novo outdoor anuncia o Festival de Energias de Vida, na parede da 'Galeria do Povo' em Cabelo Seco.

O novo outdoor anuncia o Festival de Energias de Vida, na parede da ‘Galeria do Povo’ em Cabelo Seco.

Rios de Encontro anunciará no dia 07 de junho, aniversário de Cabelo Seco, as datas dos mini-cursos e ações comunitárias do primeiro Festival de Verão: Energias de Vida, como presente para o bairro matriz de Marabá. Cientes sobre a importância da Praia Tucunaré na cultura da comunidade e do descanso, a coordenação juvenil e adulta criou esta iniciativa para garantir estimulação cultural e social durante verão, em particular para jovens e crianças. O festival acontecerá entre dia 30 de junho e dia 02 de agosto, e estará aberto a cidade inteira.

“Três anos atras, este festival ainda era um sonho em construção,” explica Dan Baron coordenador do Rios de Encontro. “Desde do inicio do projeto, priorizamos a formação de jovens como artistas e arte educadores comunitários que respeitam a inteligência e desafios de sua comunidade. Hoje, seis anos depois, temos jovens educadoras de Cabelo Seco, preparadas para compartilhar conhecimentos e paixões, que dividem os mesmos valores e visão de uma comunidade independente e sustentável.”

Artista e arte educadora Evany Valente (15 anos) ensina mestre Zequinha numa aula de sax. Ambos vão oferecer cursos no Festival de Verão.

Artista e arte educadora Evany Valente (15 anos) ensina mestre Zequinha numa aula de sax. Ambos vão oferecer cursos no Festival de Verão.

“Isso é um sonho realizado”, disse Zequinha Souza, mestre da cultura popular e diretor musical do projeto. “Nossos jovens e pais tem que ter mais opções de que praia, festa e novela. Mas ainda mais significativo, temos jovens hoje que entendem as necessidades da comunidade e reconhecem a comunidade como gente, por que são daqui. Isto so foi possível por que preocupamos com um projeto de formação, não de números. E agora, quando descanso, sei que tem uma nova geração capaz de sustentar nossa rica cultura popular.”

A decisão de oferecer o festival de verão na data do aniversário de Cabelo Seco foi pensada com cuidado. “Queremos oferecer um presente duradoura a nossa comunidade,” disse Manoela Souza, gestora do projeto, “e também definir as dimensões sociais e formadoras da Cultura. É bom celebrar, mas o que sobra depois de mais uma festa? Nosso Festival de Verão muda esta lógica. Vamos chamar nossos artistas para valorizar raízes, coragem de questionar e inovar, capacidade estética. Os governantes aqui não vão entender isso enquanto pensam que a cultura é uma ferramenta política e econômica ao sevicio deles.”

O Festival de Verão oferecerá mini-cursos intensivos de formação em artes visuais, música, dança, inglês, literatura, composição musical digital, radio comunitária-profissional, e redação (para ENEM). Estes são complementados por rodas de historia viva e cultura viva comunitária e oficinas sobre questões profundas relacionadas ao futuro de Cabelo Seco, saúde, energia solar, segurança comunitária e educação sem paredes. O festival incluíra mostras de filmes infantis, juvenis e adultos, um festival de pipa, uma bicicletada pela preservação do Pedral de Laurenção, e finaliza com um curso de formação (09-11 de agosto), ‘Arte Educação para cultivar Escolas e Comunidades Sustentáveis’, para professores, gestores e artistas.

“Realizamos um curso de formação para 120 professores e gestores em 2009 em parceira com o GAM”, explica Dan Baron, “e dado as demandas do projeto em Cabelo Seco e nossa agenda nacional e internacional, foi impossível encontrar um espaço para todos que não poderiam participar ou queriam aprofundar. Mas beneficiará da convivência em Cabelo Seco e oferece uma oportunidade de compartilhar com Marabá os avanços no mundo. Hoje em dia, a UNESCO e outras redes fortalecem diversidade, comunidade e direitos humanos como base de democracia participativa, alfabetização intercultural e responsabilidade juvenil. Estas serão os princípios do curso e do festival de verão ‘Energias de Vida’.”

Detalhes sobre cada curso do Festival de Verão: Energia de Vida são disponíveis de Mano Souza (riosdeencontro@gmail.com e fone: 91 8842 0521), a partir do dia 18 de junho. Inscrições abrem no dia 23 de junho.

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Cine Coruja estreia ’12 Anos de Escravidão’ em Cabelo Seco

Hoje, sábado, dia 31 de maio, em Cabelo Seco, Velha Marabá, nosso cinema comunitário Cine Coruja estreia o premiado filme ’12 Anos de Escravidão’.

Nosso Cine Coruja estrela o filme '12 Anos de Escravidão' amanha no Barracão de Cultura no cinema comunitário de Cabelo Seco.

Nosso Cine Coruja estreia o filme ’12 Anos de Escravidão’ no Barracão de Cultura no cinema comunitário de Cabelo Seco.

“Somos orgulhosos a ser o primeiro cinema na região para apresentar este filme de altas relevância social e qualidade artística”, afirma Evany Valente, jovem coordenadora do Cine Coruja. “Queremos promover reflexão sobre as sequelas vivas da escravidão no Brasil, particularmente o medo de se manifestar nas regiões Norte e Nordeste, e aqui, na Amazônia. Tou louca para assistir ele. Vai lotar!”.

“Na região amazônica, o preço de silêncio é caríssima”, reflete Zequinha Souza, mestre de cultura popular no projeto. “Nos que sofremos genocídios, chacinas, invasões econômicas e a Guerra de Araguaia, sempre precisávamos de se esconder para sobreviver. Carregamos memórias vivas não resolvidas na pele que nos calam e nos tornar cúmplices com projetos contra nossa inteligência, vontade e própria vida, e que prejudica a vida do mundo. Este filme explica porque”.

A noite comece as 19h30 com uma curta, o video Bicicletada pelas Arvores e pelos Rios, de Rabetas Vídeos e encerra com um sorteio cultural e chuva de reflexão!

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Rios de Encontro leva Amazônia a Teia Nacional de Diversidade Cultural‏ e lembra de Maria Silva e Ze Claudio

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Nosso projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou uma serie de ações culturais na semana passada com uma contribuição na conferencia sobre ‘Leitura e Cultura Popular’ durante a Teia Nacional de Diversidade Cultural em Natal e na ‘Caminhada pela Vida’ em Nova Ipixúna para lembrar o projeto extratavista da eco-pedagoga e arte educadora popular, Maria da Silva, assassinada com seu esposo, Ze Claudio Ribeiro no dia 24 de maio de 2011.

Depois de acompanhar gestores do Ministério de Cultura na Abertura da Teia onde a Ministra Marta Suplicy afirmou a cultura comunitária como base da democracia e direitos humanos, Dan Baron, Coordenador do projeto Rios de Encontro, realizou uma oficina para a Conferencia Livre sobre Cultura e Educação Popular, antes de pular para participar como convidado na conferencia sobre Leitura e Cultura Popular. “Minha oficina afirmou educação popular pela diversidade cultural”, disse o arte educador de Cabelo Seco, “como base de direitos humanos e democracia comunitária. Em menos de uma hora, participantes do país inteiro cantaram, dançaram, fizeram teatro e artes visuais, para vivenciar uma nova proposta de educação integral, enraizada na cultura popular. Impulsionou dois dias de debate!”.

Na conferencia sobre bibliotecas comunitárias, Dan compartilhou a evolução nos últimos três anos do projeto ‘Folhas da Vida’ do projeto Rios de Encontro, enraizado em Cabelo Seco desde 2008. “Ficou evidente porque foi convidado pela Biblioteca Nacional”, explicou Dan. “O pais inteiro tem um desafio imenso sobre analfabetismo funcional, particularmente na região Norte. Mas nosso projeto esta inovando cada vez mais para superar estes desafios, garantindo a integração das crianças e dos jovens na leitura a partir das artes e a coordenação juvenil”.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

“Porem, também alertei a conferencia sobre as ameaças acontecendo no sudeste do Pará com a acelerada comercialização do Rio Tocantins,”, disse Dan, “no somente ao meio ambiente, mas a independência da reflexão e do imaginário, por causa do particiono da Vale e outras mineradoras nas áreas de cultura e educação. Como falei no seminário Pacto pela Leitura em Marabá na semana anterior, é muito perigoso deixar a Vale comprar estas faculdades humanas para sanar sua imagem como a empresa mais violentadora no mundo dos direitos humanos de seus trabalhadores e do meio ambiente”.

Mais uma vez, Dan Baron percebeu que no pais inteiro, não somente em Marabá, há uma falta de debate e de consulta sobre os danos que vão acontecer na próxima década com a comercialização da Amazônia. “Por constituição, os prefeitos da região tem uma obrigação legal e responsabilidade social para apresentar e discutir em público a evidencia cientifica, para que o Brasil possa tomar uma decisão informada”.

Os povos indígenas fizeram protestos culturais na Teia, alertando os 5000 participantes e o mundo sobre sua leitura dos rios e das florestas. O projeto Rios de Encontro foi aplaudido fortemente pela coragem de seus jovens gestores e adultos.

No final de semana passada, Manoela Souza, Dan Baron e Zequinha Souza acompanharam seis jovens dos micro projetos ‘Rabetas Videos’ e ‘Folhas da Vida’ para acompanhar a caminhada ‘As Florestas Choram’, para marcar os terceiro aniversario do assassinato de Maria da Silva (da Pedagogia do Campo, UFPA) e Ze Claudio Ribeiro. “Oferecemos os seis jovens coordenadores afro-indigenos de Cabelo Seco como sementes do futuro”, disse Manoela, gestora cultural do Rios de Encontro. “Demonstram que há uma nova geração que esta bem comprometida com o futuro dos rios Tocantins e Itacaiúnas. Sabem como ler os rios e os ventos, sabem ler o futuro. Mas nem os políticos de Marabá nem de Brasilia estão escutando eles”.

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a ser assassinado de que jovens em qualquer outro região de Brasil,  como 'sementes do futuro'

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a serem assassinados de que jovens em qualquer outra região do Brasil, como ‘sementes do futuro’

Os jovens foram profundamente sensibilizados pelo acampamento na floresta e pela convivência com mais de 250 participantes de projetos e movimentos sociais dedicados a uma Amazonia sustentável. “Nosso Mestre Zequinha tocou ‘Matagal’ no meio da floresta, na casa de Maria e Ze Claudio,”, sorriu Brendon Alves, “e nos sustentou durante a caminhada. Nunca imaginávamos que teríamos tanta força para caminhar oito quilômetros, embaixo do sol e na lama, mas descobrimos nossa coragem, caminhando. Agora, queremos escrever nossa própria música e criar videos, para sensibilizar e alertar nossa geração. Não quero morrer assassinado, e nem quero morrer por causa da destruição de nossos rios.”

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Rios de Encontro realiza ‘1 Semana de Viva a Mãe Natureza!’ para celebrar Dia das Mães

Acabamos de realizar um fim de semana de Corda Bamba, Cine Coruja, Bicicletada e Biblioteca para finalizar a 1 Semana de Viva a Mãe Natureza, dedicada as Mães de Cabelo Seco e de Marabá. Parte da celebração de Energias de Vida, a semana contou com colaborações de artistas do Rio de Janeiro e da Barcelona, os artistas da rua, Mara Bamba e Boby Mola.

Bobi e Mara toca o digeridoo na escola Judith Gomes Leitão para celebrar a diversidade cultural.

Bobi e Mara toca o digeridoo na escola Judith Gomes Leitão para celebrar a diversidade cultural.

Depois de rodas gestoras, a semana começou na quarta feira passada quando o projeto levou os artistas da rua a escola parceira Judith Gomes Leitão para realizar quatro oficinas sobre ‘energias da vida’. Mais de 500 alunos ouviram a história a da vida da Mara e do Bobi, que iniciou-se com sua decisão de deixar uma digna vida profissional para aprender com o mundo. Depois de dois anos de viagem de carvalho e bicicleta, encerrarem sua caminhada com uma viagem de três meses no Rio Araguaia. A partir de vivências com comunidades que cuidam de sementes tradicionais e com catadores e recicaladores de lixo, o casal optou em criar uma balsa de materiais reciclados, parando para dialogar com povos indígenas e ribeirinhas, e compartilhar sua visão eco-pedagógica com escolas e projetos comunitários.

Mara realiza entrevistas na plateia sobre a construção da usina hidroelétrica de Marabá que vai acabar com o Rio Tocantins.

Mara realiza entrevistas na plateia sobre a construção da usina hidroelétrica de Marabá que vai acabar com o Rio Tocantins.

“Ficamos impressionados que ninguém tem uma noção sobre os impactos socio-ambientais que a derrocagem do Pedral de Laurencao e a construção das reprises vão causar”, disse Mara, formada em Desenho Industrial no Rio de Janeiro. “Mas quando contamos nossa historia, mostrando fotos da diversidade de plantas, pássaros, animais e culturas que os Rios Araguaia e Tocantins acolhem, percebemos o amor pela natureza e conhecimento dela que os jovens de Marabá tem. Ninguém quer perder isso”.

O Bobi toca músicas populares diversas no violino classico, derrubando preconceitos.

O Bobi toca músicas populares diversas no violino classico, derrubando preconceitos.

“Nos diálogos com os alunos”, afirma Bobi, formado em Física na Universidade de Barcelona. “nos disseram que nenhuma família foi consultada sobre a construção da hidroelétrica. Ninguém sabe sobre os efeitos catastróficos acontecendo em Altamira, a prostituição infantil e aumento de violência que vem com a invasão da cidade por milhares de trabalhadores, para construir estas obras imensas. Mostramos como integramos energia solar na nossa balsa como uma forma de energia alternativa e nos perguntaram porque o governo esta investindo em projetos tão destrutivos.”.

“No inicio de cada oficina”, conta Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro, que levou o casal a escola, “o Bobi tocou o primeiro sopro no mundo, o ‘digeridoo’ dos povos tradicionais da Australia, e depois encantou todos com seu violino. A Mara demonstrou a arte da corda bamba no final. Ambos celebraram a importância de estudo, destacando paciência, vontade e prática como o segredo de realizar qualquer sonho. Mas afirmou a suprema importância de questionar e abraçar valores de cuidado ambiental e amor pela Mae Terra para garantir um planeta sustentável”.

A Mara demonstra as qualidades de paciência, vontade e prática na corda bamba, metáfora para a realização de sonhos.

A Mara demonstra as qualidades de paciência, vontade e prática na corda bamba, metáfora para a realização de sonhos.

Uma oficina de Corda Bamba para crianças e mães iniciou a celebração da Mãe Natureza na Pracinha do Cabelo Seco na sexta-feira, antes da projeção do filme ‘Valente’ na noite, na parede das casas do PAC. No sábado, 60 jovens realizaram a Bicicletada pela Mãe Natureza, saindo do Cabelo Seco rumo a nova parceira, escola Jonathan Pontes Athias. “Temos muito respeito para Rios de Encontro,” disse Diretora Sheila Luiza. “Apreciou nossas danças antes de apresentar músicas das Latinhas de Quintal e a arte dos visitantes. Nossos alunos gostaram muito. Rios de Encontro inspirou esperança e responsabilidade. Vamos marcar mais colaborações!”.

Viviane Suares do micro-projeto Biblioteca Folhas da Vida entrega livros a diretora Sheila Luiza no ato de celebrar a escola Jonathan Pontes Athias como parceira do Rios de Encontro.

Viviane Suares do micro-projeto Biblioteca Folhas da Vida entrega livros a diretora Sheila Luiza no ato de celebrar a escola Jonathan Pontes Athias como parceira do Rios de Encontro.

O dia encerrou com uma oficina de Cartas de Amor na Biblioteca Folhas da Vida para as mães do Cabelo Seco. No Dia das Mães, Rios de Encontro despediu do casal, recebendo a balsa internacional como doação eco-pedagógica para o micro-projeto Rabetas Videos.

Bicicletada pela Mãe Natureza encerra com seu retrato ritual na 'galeria-do-povo'  que celebra a ultima samaumeira no Rio Itacaiunas, arvore ameacada pelo descuido ambiental atual dos governantes.jpg Bicicletada pela Mãe Natureza encerra com seu retrato ritual na ‘galeria-do-povo’ que celebra a última Samaumeira no Rio Itacaiúnas, arvore ameaçada pelo descuido ambiental atual dos governantes./caption]

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Cabelo Seco transforma tragédia em sementes de esperança

Uma semana depois dos assassinatos do Renan Costa de Sousa e do Douglas da Silva de Xavier no dia 13 de abril, o projeto sociocultural Rios de Encontro já estava realizando três novos passos inesperados, transformando tragédia em uma plataforma de esperança e determinação. Um mês depois, os jovens em maior risco estão assumindo a liderança de uma nova fase do projeto.

Rabetos Vídeos concluem sua primeira semana de aulas de violão com mestre Zequinha.

Rabetos Vídeos concluem sua primeira semana de aulas de violão com mestre Zequinha.

A entrada na roda de Violões da Vida do mestre Zequinha do micro-projeto mais novo, Rabetas Vídeos, e da percussionista Elisa Neves do micro-projeto fundador e mais conhecido, as Latinhas de Quintal, integra alguns dos jovens considerados mais em risco e mais vulneráveis no bairro, incluindo o irmão do Douglas. Mas estes jovens já tem um ano no projeto Rios de Encontro, estão filmando e editando seus próprios primeiros vídeos e fazem parte da coordenação da Bicicletada da Vida. “Somos um coletivo comprometido”, afirma Brendon, “conscientes sobre as causas da violência aqui e no pais – a exclusão, a pobreza, e a violação de nossos rios e florestas. Violência gera violência. Sabemos o que temos que mudar.”.

Elisa das Latinhas de Quintal troca percussão para violão com mestre Zequinha. Ela pretende montar um curso de verão.

Elisa das Latinhas de Quintal troca percussão para violão com mestre Zequinha. Ela pretende montar um curso de verão.

Elisa já tem seis anos no projeto, coordenou a recepção de uma a bicicletada ao seu ‘novo’ bairro Liberdade no ano passado, e esta aprendendo violão como preparação para ministrar seu primeiro curso piloto de percussão em maio. “Quero ser uma percussionista profissional, e já me sinto qualificada para compartilhar tudo que aprendi.” Elisa se integra com outros jovens professoras Evany Valente (violão e sopros) e Camila Alves (dança) da Universidade Comunitária dos Rios para oferecer cursos para o primeiro Programa de Verão em julho.

Rafael Varão (coordenador da biblioteca Folhas da Vida) e Matheus Sá (Latinhas de Quintal) estudem o primeiro boneco do novo jornal comunitário Nem Um Pingo que vão  lançar na semana depois do Dia das Mães.

Rafael Varão (coordenador da biblioteca Folhas da Vida) e Matheus Sá (Latinhas de Quintal) estudem o primeiro boneco do novo jornal comunitário Nem Um Pingo que vão lançar na semana depois do Dia das Mães.

Iniciou na última semana também a idealização do jornal comunitário Nem um Pingo, por jovens coordenadores Rafael Varrão e Matheus Sá. O projeto surgiu em 2012 como uma iniciativa da Carolayne Valente das Latinhas de Quintal e da Cia AfroMundi. “Queremos continuar com entrevistas explosivas,” explica Matheus, “que tocam questões sensíveis que ninguém quer mencionar. Nenhuma liderança aqui falou sobre as mortes de Renan e Doglinho. Desaparecem no silêncio de sofrimento e medo. O jornal vai falar.” Rafael continua: “O jornal vai também alertar a comunidade sobre o projeto violento da Vale. Ninguém aqui foi consultado sobre a construção da hidroelétrica. Temos direitos na constituição. Cade?”

Latinhas de Quintal cantam Amazonia Nossa Terra na Feira de Sementes Tradicionais.

Latinhas de Quintal cantam Amazonia Nossa Terra na Feira de Sementes Tradicionais.

Domingo passado, todas as jovens coordenadores da Universidade Comunitária dos Rios participaram na primeira Feira de Sementes Tradicionais, convidados pela UNIFESSPA que quer aproximar saberes e culturas populares com conhecimento acadêmico. Foram o único projeto urbano e juvenil convidado. As Latinhas de Quintal e AfroMundi apresentaram obras agora bem maduras, e a biblioteca Folhas de Vida apresentou um poema e uma letra dedicados ao projeto da Maria da Silva, colaboradora do projeto e eco-pedagoga da UFPA, assassinada em maio de 2011.

Viviane do projeto Biblioteca Folhas da Vida le o poema Vento Norte na Feira de Sementes Tradicionais.

Viviane do projeto Biblioteca Folhas da Vida le o poema Vento Norte na Feira de Sementes Tradicionais.

“Os jovens do projeto ficaram impressionados com o fato que Brasil é o maior consumidor de agro-tóxicos no mundo e foram elogiados como sementes ecológicos exemplares,”, disse Dan Baron, coordenador do projeto, “e tem uma ética que poucos percebem, por causa do preconceito que os cercam. Dividem tudo, amam e cuidam da natureza, e atras de seu silêncio e aparente timidez, tem a coragem de inovar e ensinar. Sábado passado, entrevistaram jovens de Barcelona e Rio de Janeiro que passaram três meses no Rio Araguaia, numa balsa de materiais reciclados. Ontem, editaram seu primeiro vídeo. Hoje, estão discutindo como transformar a balsa doada em uma ilha de edição e vídeoteca, Os Rabetos Vídeos tem ética e a coragem de se questionar e questionar o mundo que os violentou.”

Rios de Encontro crescem na Feira de Sementes Tradicionais

Enquanto as jovens lideranças preparam seus cursos de verão, Dan Baron foi para Brasilia para compartilhar a proposta de protagonismo juvenil num seminário nacional da Confederação dos Trabalhadores Agrícolas. Recebi convites do Distrito Federal, Rondônia, Maranhão e Acre para realizar cursos de formação sobre estas pedagogias que cultivam ousadia ética.

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Rios de Encontro cria parceria com nordeste para fortalecer Energias de Vida

Entre dias 11-15 de abril, o projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou um curso de cinco dias de formação artístico-cultural com jovens de oito povos indígenas de quatro estados do nordeste, como parte de uma colaboração com o Pontão de Cultura Thydewá em Ilhéus, Bahia. O curso é o primeiro passo de uma colaboração de um ano viabilizada pela Organização de Ciências, Educação e Cultura das Nações Unidas (UNESCO) em colaboração com o Ministério de Cultura, que pode incluir uma troca cultural entre jovens artistas e lideranças de Cabelo Seco e de aldeias indígenas nordestinas, em busca de energias de vida.

Dan Baron, coordenador do projeto Rios de Encontro voltou do encontro internacional Chico Vive Washington e logo se dirigiu para a ‘oca sagrada’ na sede de Thydewá para contribuir a colaboração. “Fiquei profundamente inspirado pelo novo contato com a beleza, consciência ecológica e carinho comunitário da cultura indígena”, disse Dan na sua volta a Cabelo Seco, “e encantado pelo compromisso dos jovens com a preservação das energias da Mae Terra através da dança, energia solar e o cultivo de sementes agroecológicas tradicionais, a partir de sua identidade cultural”.

A colaboração surgiu durante o Fórum Social Temático realizado em Porto Alegre em janeiro de 2013 quando o Presidente de Thydewá, Sebastian Gerlic, vivenciou uma oficina de alfabetização cultural ministrada por Dan Baron que forma gestores, educadores e jovens para criar projetos sustentáveis. “O Pontão de Cultura Thydewá já sabia sobre nossa proposta através dos monumentos de Eldorado dos Carajás e dos Outros 500 Anos (no Monte Pascoal no sul de Bahia, 2001). Mas esta colaboração revelou como formar jovens como lideranças comunitárias, o princípio chave de Rios de Encontro.”

Jovens indígenas estudam o calendário Rios de Encontro para entender os desafios e propostas alternativas na Amazônia.

Jovens indígenas estudam o calendário Rios de Encontro para entender os desafios e propostas alternativas na Amazônia.

Os jovens indígenas, escolhidos a dedo por sua capacidade comunicativa e compromisso social transformaram o calendário do projeto Rios de Encontro em um recurso pedagógico, estudando sua mistura de foto-narrativa, poesia e textos como livro dialógico e para conhecer os desafios e propostas da Amazônia, no sudeste do Pará. “Mas o processo foi uma escuta e uma troca nos dois lados”, afirmou Dan. “Aprendi muito sobre o poder inclusivo, cicatrizador e socioeducativo da roda dançante, o Toré, e fiquei profundamente comovido pela solidariedade dos indígenas”.

Povos indígenas se solidarizem com Renan de Souza e os jovens de Marabá.

Povos indígenas se solidarizem com Renan de Souza e os jovens de Maraba.

O dia depois de sua chegada, Dan recebeu noticias sobre o assassinato do jovem Renan Costa de Souza de Cabelo Seco que o abalou. “Logo após de contar as circunstancias da morte de Renan e como jovens em Marabá e na Amazônia são doze vezes mais vulneráveis a serem assassinados do que qualquer outra região do país, os indígenas se ajoelharam e pediram a Mae Terra enviar energias de vida para fortalecer a família de Renan. O Toré que seguiu foi de indignação. Entendem na pele como cortando laços, seja pela exclusão, expulsão ou pela sedução (no caso de Minha Casa, Minha Vida), cria condições férteis para violência.”

O primeiro encontro encerrou com um retrato de solidariedade nordestina para os jovens de Marabá. “Esta chacina de jovens, seja pela arma de fogo ou pela arma virtual na internet, só vai parar quando nossos jovens, escolas e políticos entendem a sua causa,“, disse Cacique Joel Braz Pataxó da Aldeia Barra Velha em Monte Pascoal. “Políticas que desrespeitam e acabam com nossos rios e florestas, cultivam desrespeito e morte. Não queremos sofrer ecocídio, a destruição do meio ambiente. Queremos cultivar a vida. Estuda este calendário, Marabá, e se liga, antes de ser tarde de mais!”.

Rios de Encontro volta a Ilhéus em julho com jovens de Cabelo Seco para fortalecer liderança afro-indígena. O projeto sediará debate sobre ‘energias de vida’ na sua programação Dia de Mae Terra, entre 3-10 de maio.

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Rios de Encontro celebra aniversário de Marabá no encontro ‘Chico Vive’ nos EUA

O projeto sociocultural Rios de Encontro contribui ao aniversario de Marabá local e internacionalmente, apresentando no canal da televisão RBA e contribuindo ao encontro Chico Vive em Washington, Estados Unidos de América, na presença de Marina Silva e mais de 120 diretores de ONGs do mundo inteiro.

Marina da Silva recebe um calendário da Camila Alves.

Marina da Silva recebe um calendário da Camila Alves.

Logo após de chegar na tarde do dia 04, Dan Baron, coordenador do projeto e Camila Alves, coordenadora da Cia AfroMundi, ouviram a ex-Ministra do Meio Ambiente e candidata a Vice presidência Marina Silva contar a historia de Chico Mendes e quanto influenciou ela enquanto jovem ambientalista, e afirmar a necessidade de repensar o projeto nacional de grande hidroelétricas no contexto de uma crise civilizatória que alcança os níveis econômico, social, politico, cultural e espiritual. Afirmou também a necessidade de criar uma agenda politica, em rede, capaz de implementar energia solar e energia eólica rumo a um mundo sustentável.

“Marina condenou a construção de hidroelétricas como projetão dos interessados em lucro imediato e poder,“ disse Camila, “e se emocionou quando expliquei a independência nosso projeto. Falou sobre a mesma ética que praticamos, e que temos que pensar sobre as dimensões econômica, politica, cultural, espiritual e ambiental tudo juntos. Senti-me parte do legado do Chico mesmo!”.

No segundo dia, no aniversario de Marabá, Camila Alves e Dan Baron escutaram duas mesas internacionais que resgataram a história detalhada do Chico e as violações dos direitos humanos e assassinatos de ambientalistas por governos, fazendeiros e mineradoras em cada continente do mundo. Imagens dos extrativistas Maria Silva e Jose Ribeiro foram apresentadas pelo Special Envoy das Nações Unidas que condenou o Brasil por ter a maior índice de violência contra ambientalistas no mundo.

Camila pesquisa arte indígena no Museu dos Povos das Américas.

Camila pesquisa arte indígena no Museu dos Povos das Américas.

“Apesar de ser a mais jovem participante do encontro,”, anotou Dan. “A Camila captou cada contribuição. Durante o debate, a apresentei a todos, bem no momento quando café de manha estava sendo servido em Cabelo Seco, e para concretizar nossos desafios atuais, mencionei que ela nem sabia quem era Chico Mendes ou a história de Eldorado dos Carajás que aconteceu uma hora de sua casa, ate começou a se preparar para Washington. Assim todos logo entenderem como a Vale poderia financiar o café de manha, mexendo com imaginário de Marabá para criar um consensos, em nome de Chico Mendes e responsabilidade ambiental.” O encontro todo manifestou sua grande preocupação sobre o projeto da UHM que não foi conhecida, e a falta de debate e consulta da população de Marabá. “Fiquei surpresa que os povos da América do Norte já mandaram seu governo desmontar todas as hidroelétricas, a favor de energia que protege a vida,” disse Camila.

Camila apresenta 'Raizes e Antenas' a conferencia Chico Vive, relacionando violência contra mulher com a violação do meio ambiente.

Camila apresenta ‘Raizes e Antenas’ a conferencia Chico Vive, relacionando violência contra mulher com a violação do meio ambiente.

Depois de uma visita as cascadas do grande Rio Potomac bem conservado, Camila e Dan voltaram a Universidade Americana para apresentar o espetáculo ‘Raízes e Antenas’. “A plateia internacional aplaudiu de pé, impressionada pela disciplina e beleza da arte da Camila e sensibilizada sobre este momento chave que a Amazônia brasileira está passando. A Camila tocou todos por sua generosidade e abertura. No final, lançamos nosso CD Amazônia Nossa Terra e o calendário do Rios de Encontro. Faltou exemplares!”, lembra Dan.

Na próxima manha, depois de contribuições de dança, vídeo e uma proposta para criar uma ação internacional numa oficina de ativismo criativo, os dois representantes do projeto iniciaram dois dias de visitas aos museus de Povos Americanas, do Ar e Espaço e da Arte Africana, o Tumulo do assassinado Presidente Lincoln que lutou pela libertação dos escravos e o monumento aos 50,000 soldados que morreram na guerra de Vietnã, a maioria negra, bem ao lado, e conheceu comida mexicana e da Etiópia, tudo parte de formação da Camila e pesquisa por seu próximo espetáculo.

Camila pesquisa arte afro-contemporânea no Museu de Arte Africana.

Camila pesquisa arte afro-contemporânea no Museu de Arte Africana.

“Encontrei-me nos museus”, disse a Camila, “e vejo minha historia como parte de uma historia maior de primos negros nas Américas. Nem Sabia que noventa por cento da Washington tem raiz africana. Talvez explique seu jeito hospitaleiro, sofrido e alegre. Um grande Cabelo Seco! E assisti 12 Anos de Escravidão na volta, no avião. Valeu tanta luta para conseguir meu visto!”.

Dan Baron e Camila Alves vão produzir um pequeno vídeo e narrativa fotográfica para Cabelo Seco, a escola Plínio Pinheiro e Marabá como parte de um relatório de ação internacional. “Há uma Marabá calada, bem explicada pelo filme 12 Anos de Escravidão”, concluiu Dan. “Ela tem que encontrar sua voz. Temos que cultivar muitos Chicos Mendes, como um Nigeriano falou no encontro, antes do derrocagem do Pedral do Laurenção.”

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Duas semanas de dança panamazônica preparam AfroMundi para ‘Chico Vive’ em Washington

Retrato inesperado dos arte educadores do Rios de Encontro e vereadores, unidos em busca de debate sobre o futuro do Rio Tocantins.

Retrato inesperado dos arte educadores do Rios de Encontro e vereadores, unidos em busca de debate sobre o futuro do Rio Tocantins.

Depois de duas semanas de residência artística panamazônica de dança pela transformação, a Companhia AfroMundi do projeto Rios de Encontro leva seu espetáculo ‘Raízes e Antenas’ ao evento Chico Vive em Washington, nos Estados Unidos para celebrar os 101 anos de Marabá no contexto de um debate mundial sobre o legado de Chico Mendes e planejar como responder a grave ameaça a Amazonia brasileira.

Lançando o tema do 2014 do Rios de Encontro ‘Energias da Vida’ na Camara dos Vereadores, no dia 25 de Marco, Dan Baron celebrou as contribuições da AfroMundi e mestres Zequinha e Tonica no encontro nacional de Saúde Familiar realizado pelo Ministério de Saúde em Brasilia na semana anterior e antecipou a contribuição internacional em Washington. Alem de uma apresentação, uma oficina de danças afro contemporâneas e uma mesa sobre aticismo criativo, Camila Alves e Dan Baron vao conversar sobre a destruição do Rio Tocantins com candidata a vice presidência, Marina Silva, e possivelmente com primeira dama, Michelle Obama.

Camila Alves e Cristina Ruiz visitam o monumento As Castanheiras de Eldorado dos Carajás para conhecer a história viva da região.

Camila Alves e Cristina Ruiz visitam o monumento As Castanheiras de Eldorado dos Carajás para conhecer a história viva da região.

Depois de ações artísticas da Cia AfroMundi e das Latinhas de Quintal, os jovens coordenadores dos micro-projetos da biblioteca comunitária Folhas da Vide, Cine Coruja, Rabetas Vídeos e Sopros de Quintal afirmaram propostas socioculturais de energia solar, cultura viva comunitária, pedagogias de arte educação, justiça para todos, segurança e saúde comunitárias e sobre tudo, laços comunitários pela vida, que acreditam faltam no projeto do governo federal e municipal.

Cristina coordena uma oficina comunitária aberta em Cabelo Seco, sensibilizando um grupo diverso sobre identidade pan-amazCristina coordena uma oficina comunitaria aberta em Cabelo Seco, sensibilizando um grupo diverso sobre identidade pan-amazCristina coordena uma oficina comunitaria aberta em Cabelo Seco, sensibilizando um grupo diverso sobre identidade pan-amazônica.

Cristina coordena uma oficina comunitária aberta em Cabelo Seco, sensibilizando um grupo diverso sobre identidade pan-amazCristina coordena uma oficina comunitaria aberta em Cabelo Seco, sensibilizando um grupo diverso sobre identidade pan-amazCristina coordena uma oficina comunitaria aberta em Cabelo Seco, sensibilizando um grupo diverso sobre identidade pan-amazônica.

Citando exemplos de todos os continentes de mundo, Dan Baron finalizou destacando duas dimensões: “A derrocagem do Pedral do Laurenção vai alterar a infra-estrutura do planeta e prejudicar a vida de todos.” Continuou: “Cada família tem direito a uma casa digna, mas Minha Casa Minha Vida já esta esvaziando Cabelo Seco e alterando a infra-estrutura familiar da comunidade e do próprio imaginário da região, cortando laços e aumentando violência. Faltam de debate e de consulta com uma Marabá informada e preparada. Mas muitos já sabem que os dois projetos são equivocados. A Dilma e todos os gestores atuais estarão processados pelas gerações que vem por ecocídio e ganância.”

Cristina brinca com criancas na escolinha do Nucleo de Educação Infantil Deodoro de Mendonça em Cabelo Seco.

Cristina brinca com criancas na escolinha do Nucleo de Educação Infantil Deodoro de Mendonça em Cabelo Seco.

Depois de oficinas e rodas de conversa com alunos e professores no Plínio e a Escolinha, e com moradores de Cabelo Seco e artísticas da cidade, Cristina Ruiz avaliou: “Fiquei impressionada com a diversidade de dança na cultura juvenil, o corpo é tão solto e autoconfiante! No Peru, somos mais conservadores e tímidos.” Refletiu: “Porem fiquei assustada que os jovens de Marabá sabem nada sobre a profunda historia de Eldorado dos Carajás, ou sobre seus países vizinhos latinos. Em nossa municipalidade de Vila El Salvador, na periferia de Lima, a historia popular é bem viva, e temos 40 anos de projetos eco-social que integram escolas e associações de moradores na busca de uma Amazonia sustentável. Marabá precisa se preparar para cuidar da vida.”

Cristina colabora com a Cia. AfroMundi, oferecendo um curso de dança contemporanea.

Cristina colabora com a Cia. AfroMundi, oferecendo um curso de dança contemporanea.

Cristina integra jovens em risco numa roda de danças ribeirinha e florestal peruanas na oficina comunitária aberta em Cabelo Seco.

Cristina integra jovens em risco numa roda de danças ribeirinha e florestal peruanas na oficina comunitária aberta em Cabelo Seco.

Após a apresentação da sua dança na festa panamazônica e sua entrega a bicicletada pelas Energias da Vida, Cristina Ruiz participou numa festinha de avaliação. Na roda gestora ela foi convidada voltar para colaborar na criação de uma nova obra por um mês em agosto. Ela deixou vídeos documentais para o Cine Coruja e novas músicas para o Curso de Violão que recomeça na semana que vem.

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Rios de Encontro inspira lágrimas em Brasília e consciência Pan-Amazônico

Artista em residencia Cristina Ruiz Gutierrez de Peru esta apresentada a comunidade Cabelo Seco por Rafael Varão (coordenador da biblioteca comunitária Folhas da Vida) durante a entrega do calendário 2014

Artista em residencia Cristina Ruiz Gutierrez de Peru esta apresentada a comunidade Cabelo Seco por Rafael Varão (coordenador da biblioteca comunitária Folhas da Vida) durante a entrega do calendário 2014

O projeto Rios de Encontro voltou ontem às ruas da comunidade Cabelo Seco para distribuir seu calendário bilíngue que questiona profundamente o modelo de desenvolvimento causando desequilíbrio ecosocial no Brasil e no mundo inteiro, e afirma uma proposta cultural e educativa de ‘energias de vida’ sustentável. A artista peruana Cristina Gutiérrez Ruiz que já testemunhou no seu país a devastação ambiental que a derrocagem do Pedral do Lorenção iniciará, acompanhou o mutirão, conversando com famílias dos jovens e crianças que vão colaborar com ela nas oficinas da escola parceira Plinio Pinheiro e no Barracão de Cultura no bairro.

A artista peruana Cristina Ruiz demonstra como tocar a cachita numa roda pan-amazônica na Escola Plínio Pinheiro em Marabá.

A artista peruana Cristina Ruiz demonstra como tocar a cachita numa roda pan-amazônica na Escola Plínio Pinheiro em Marabá.

A residência artística com a dançarina da Amazônia peruana acontece logo após uma semana de apresentações pela Cia AfroMundi, mestre Zequinha, mestra Tonica e Dan Baron, e de participação em oficinas de formação na IV Mostra de Atenção Básica e Saúde Familiar em Brasília (12 e 16 de março). AfroMundi apresentou seu espetáculo ‘Raízes e Antenas’ para mais de 500 gestores e profissionais do país inteiro, tornando-se uma das atrações mais comentadas da Mostra. No final da segunda apresentação, a companhia recebeu convites para dançar em São Paulo, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro, e até na festa cultural da Copa do Mundo.

“Nossas dançarinas Camila Alves, Lorena Melissa e Carolayne Valente conseguiram encantar todos com sua mistura de dança afro-contemporânea, ballet clássico, dança experimental e com sua beleza amazônica”, comentou Dan. “Demonstraram a importância da dança e alfabetização cultural na saúde emocional, psicológica e física. Mas o público se arrepiou e até chorou quando testemunhou a dramatização da seca no final da obra. Entendeu que se descuidarmos dos rios e florestas amazônicas, a saúde do Pará, do país e do mundo acabará.”

Dan Baron, Camila Alves, mestre Zequinha e mestra Tonica concederam uma entrevista ao vivo no Programa Nacional da Amazônia na rádio. Camila e Zequinha tocaram Cabelo Seco e Alerta Amazônia do CD ‘Amazônia Nossa Terra’ e a Camila sensibilizou o Brasil sobre como o projeto tem mudado sua vida ao longo de seis anos. “Era uma menina danada, irresponsável, desinformada. Hoje, coordeno uma companhia de dança preocupada com o futuro do planeta. Ninguém na Mostra sabe o que esta acontecendo em Marabá! Nossa geração tem que usar a internet para se informar e comunicar, questionar tudo na escola e optar por uma vida saudável. Já mudei minha alimentação. A dança é uma linguagem perfeita para motivar, provocar, encantar e propor!.”

Cristina Ruiz participa numa roda imropovisada de percussao com Rabetas Videos e Latinhas de Quintal na Casinha de Cultura

Cristina Ruiz participa numa roda imropovisada de percussao com Rabetas Videos e Latinhas de Quintal na Casinha de Cultura

Depois de ajudar a oficina de alfabetização cultural de Dan Baron, Camila Alves realizou mais um passo histórico, tanto para ela, quanto para Cabelo Seco e Marabá. Ganhou um visto para entrar nos Estados Unidos da América para apresentar ‘Raízes e Antenas’, dar oficinas e trocar experiências sobre o legado de Chico Mendes, na Conferencia Mundial Chico Vive, em Washington. “Superou preconceitos contra jovens mulheres afroindígena de bairros pobres,“, disse Zequinha, “por que ela tem um projeto de vida. Isto é uma conquista para todos nós!”.

A peruana Cristina Ruiz se reconhece no projeto de Cabelo Seco. “Já dancei pela mesma causa no sul do Brasil e na Ásia, pesquisando e transformando os efeitos da violência organizada, social e ambiental, através da dança”.

Cristina partilha a historia sobre Maria Elena Moyano da Vila El Salvador em Lima, Peru numa roda pan-amazonica na Escola Plinio. Lideranca comunitaria e tutadora pelos direitos humanos de mulheres, Maria Elena foi assassinada pelo grupo Sendero Luminoso no 15 de fevereiro de 1992.

Cristina partilha a historia sobre Maria Elena Moyano da Vila El Salvador em Lima, Peru numa roda pan-amazonica na Escola Plinio. Lideranca comunitaria e tutadora pelos direitos humanos de mulheres, Maria Elena foi assassinada pelo grupo Sendero Luminoso no 15 de fevereiro de 1992.

Na primeira semana de sua residência, Cristina realizou duas oficinas de dança peruana na Escola Plinio Pinheiro em troca para danças paraenses, para celebrar a riqueza cultural da região Pan-Amazônica e provocar debate sobre sua exploração e invisibilidade, cinco laboratórios de dança afro-peruana com AfroMundi e uma oficina comunitária aberta em Cabelo Seco.

Depois de visitar o monumento e comunidade de Eldorado das Carajás no domingo, na próxima e última semana da residência, ela volta ao Plinio para entrar numa roda de experiências com professores (terça, 16h) e com alunos (quinta, 11h), e ministrar oficinas no Núcleo de Educação Infantil Deodoro de Mendonça (quarta as 9h30 e 16h), e iniciar uma pesquisa sobre o tema ‘memoria da fome’ com AfroMundi em antecipação de uma residência maior que criará um novo espetáculo Pan-Amazônico.

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Março – mês dos rios de mulheres!

Elisangela de Cabelo Seco, mãe, avo, lavadeira (no Rio Tocantins) e gestora cultural no nosso núcleo gestor adulto, símbolo comunitário

Elisangela de Cabelo Seco, mãe, avo, lavadeira (no Rio Tocantins) e gestora cultural no nosso núcleo gestor adulto, símbolo comunitário

Elisângela, mãe, avó, lavadeira (no Rio Tocantins) e gestora cultural no nosso núcleo gestor adulto, foi nosso símbolo comunitário na Galeria do Povo do Dia Internacional das Mulheres em 2013. Em breve, nosso núcleo gestor juvenil vai compartilhar a imagem deste ano! Enquanto isso, de uma lida no poema que celebra a relação entre mulheres e as qualidades sustentáveis de nossos rios.

A página de Março no nosso calendário, celebração da confiança acumulada no palco artístico.

A página de Março no nosso calendário, celebração da confiança acumulada no palco artístico.

Veja a página de Março no nosso calendário. Depois de cinco anos de formação artística como base de formação gestora e liderança, nossos jovens tem uma capacidade de defender sua cultura ribeirinha afrodescendente como solo de uma comunidade solidária e sustentável. O caminho é longo, mas para Camila da Cia AfroMundi e da banda cultural Latinhas de Quintal, se torna possível dividir o palco com o Secretário de Cultura e o representante regional do Ministério da Cultura, a partir da autoconfiança acumulada no palco artístico, com o apoio do mestre Zequinha!

Cristina Ruiz, dançarina e educadora, nossa próxima artista em residência, de uma comunidade popular da Lima, Peru.

Cristina Ruiz, dançarina e educadora, nossa próxima artista em residência, de uma comunidade popular de Lima, Peru.

Colaboradora com nosso projeto Rios de Encontro desde 2003, a Cristina Gutiérrez Ruiz é grande atriz, dançarina, coreógrafa e educadora popular da Amazônia peruana que vai passar duas semanas conosco entre 18-31 de março como nossa primeira residência artística de 2014. Cristina vai nos ajudar entender nossos temas de ‘energias de vida’ a partir de uma pesquisa através da dança-teatro nas áreas provocadoras de ‘memória da fome’ e ‘consumismo viciador’. Colaborará com crianças e jovens na comunidade Cabelo Seco, oferecerá oficinas nas escolhas vizinhas de nossos jovens, e criará uma nova obra com nossa Cia AfroMundi. Na semana que vem, compartilharemos mais sobre essa jovem artista popular extraordinária!

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