Encerramos nosso Festival de Verão com passeio visionário

Rios de Encontro encerrou seu primeiro Festival de Verão ‘Energias de Vida’ com um passeio cultural de formação que levou 16 de seus gestores juvenis e 5 gestores adultos conhecerem as belezas da Floresta Nacional de Carajás e a verdadeira escala da mineração da Vale, na mina N4, próxima a Parauapebas. Coincidiu com a notícia que o projeto ganhou o prêmio nacional do Edital Fundo Fale Sem Medo, do Instituto Avon, que ajudará realizar partes de seu próximo semestre dedicado a Energias de Vida.

Os gestores do Rios de Encontro na entrada do Jardim Zoobotânico.

Os gestores do Rios de Encontro na entrada do Jardim Zoobotânico.

Acampamento lua cheia lançou Cine Coruja na Praia Tucunaré e integrou os coordenadores dos micro-projetos antes de iniciar os cursos de verão.

Acampamento lua cheia lançou Cine Coruja na Praia Tucunaré e integrou os coordenadores dos micro-projetos antes de iniciar os cursos de verão.

O festival iniciou com o primeiro Festival de Pipa que celebrou a inteligência plástica e conhecimento eólico dos jovens de Cabelo Seco. Logo em seguida, entre dia 07 de julho até o dia 03 de agosto, foram realizadas 120 horas de formação nos cursos de dança, rádio comunitária, inglês, francês, literatura afroamazônica e composição musical digital e 02 laboratórios de sopros e de violão, envolvendo um total de 60 participantes.

Lais Oliveira Barbosa (14 anos) busca a musicalidade de francês no curso que ela coordena.

Lais Oliveira Barbosa (14 anos) busca a musicalidade de francês no curso que ela coordena.

“Como sempre,” explicou Manoela Souza, gestora dos cursos de verão, “priorizamos nas inscrições a intimidade e a qualidade, não números e quantidade, como princípio de formação participativa e criativa, para cultivar autoconfiança e liderança comunitária. Sentimos orgulhosos que três jovens arte-educadoras de 14 a 18 anos, Camila, Evany e Laís, coordenaram seus primeiros cursos, na nossa Universidade Comunitária dos Rios (UCR). Inventaram suas próprias metodologias, com nosso acompanhamento pedagógico.”

Camila Alves (18 anos) coordena um curso de dança pela vida que oferece ballet clássico, dança contemporânea, afro-contemporânea e consciência corporal.

Camila Alves (18 anos) coordena um curso de dança pela vida que oferece ballet clássico, dança contemporânea, afro-contemporânea e consciência corporal.

O curso de dança de dez oficinas gerou novos integrantes para a companhia AfroMundi.

Camila Alves realiza um curso de dança de dez oficinas que gerou novos integrantes para sua companhia AfroMundi.

Evany Valente (15 anos) coordena a primeira de seis oficinas de sopros.

Evany Valente (15 anos) coordena a primeira de seis oficinas de sopros.

Jovens atuando como gestores e produtores culturais é uma das marcas do projeto Rios de Encontro que já comprovaram que jovens da periferia tem muito para contribuir a uma educação responsável e transformadora. Colaboradora, Professora Gabriela Silva, da escola O Globo adorou sua experiência como educadora da Literatura Afroamazônica. “Foi emocionante partilhando minha paixão com jovens tão abertos e inteligentes! Aprendi tanto dialogando com eles em sua roda.”

curso de literatura amazónica coordenado pela professora Gabriela Silva.

curso de literatura amazónica coordenado pela professora Gabriela Silva.

O curso de inglês criativo coordenado pelo Dan Baron integrou teatro, canto, alfabetização visual e massagem durante oito oficinas.

O curso de inglês criativo coordenado pelo Dan Baron integrou teatro, canto, alfabetização visual e massagem durante oito oficinas.

Os cursos encerraram com uma festa cultural comunitária na Pracinha de Cabelo Seco que compartilhou um pouco dos resultados de cada curso e laboratório, e no final da semana passada, o projeto celebrou um semestre inovador com um passeio produzido coletivamente pelos jovens coordenadores dos nove micro-projetos do Rios de Encontro. “Conhecemos a diversidade riquíssima das espécies do Jardim Zoobotânico,”, disse Dan Baron, coordenador pedagógico do projeto, “e todos ficaram fascinados pelas cavernas e trilhas da Floresta Nacional. As cachoeiras, em particular, encantaram os jovens, e todos nos ficamos marcados pela obra da Vale, na mina N4. Um milhão de toneladas por dia, criando uma cratera inimaginável! O discurso na Vale sobre cuidado ambiental no Jardim e nas trilhas logo se esvaziou.”

Antonio Soares dos Rabetos Videos estuda a obra N4 da Vale.

Antonio Soares dos Rabetos Videos estuda a obra N4 da Vale.

Percussionista Eliza das Neves, Latinhas de Quintal, fotografa a obra da Vale para compartilhar "a verdade escondida" nas suas redes sociais.

Percussionista Eliza das Neves, Latinhas de Quintal, fotografa a obra da Vale para compartilhar “a verdade escondida” nas suas redes sociais.

“Nós voltamos de nosso passeio com uma tranquilidade bem mais confiante sobre a nossa própria diversidade no projeto,”, refletiu Dan, “fruto da convivência com a natureza e das rodas divertidas de teatro e música improvisados. E logo descobrimos que havíamos ganhado nosso décimo prêmio nacional, Fale Sem Medo, do Instituto Avon (Elas – Fundo do Investimento Social, com apoio institucional da ONU Mulheres Brasil e estratégico da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República). Na roda final, os jovens falaram sem medo mesmo! Se posicionaram lucidamente contra a devastação da Vale e buscaram formas de comunicação e organização e recursos adequadas para lidar com o crescimento e diversidade do projeto. Quem teria imaginado tanta lucidez, coragem e responsabilidade seis anos atrás?”.

Os gestores do Rios de Encontro se retratam numa caverna na Floresta Nacional de Carajás.

Os gestores do Rios de Encontro se retratam numa caverna na Floresta Nacional de Carajás.

No final de agosto, Rios de Encontro abre seu segundo semestre com a bicicletada ‘Energias da Vida’, que destacará energia solar, direitos humanos de jovens mulheres, arte educação e saúde alimentar, a partir de residências interculturais, cursos e o terceiro festival de Beleza Amazônica. Mais informações estão disponíveis com a gestora cultural Manoela Souza, (94) 9192 0171.

Publicado em Advogando, AfroMundi, Cine Coruja, CineCoruja, Festival de Verão, Sopros de Quintal | Deixe um comentário

Programação do Festival de Verão: faca sua inscrição já!

Os cursos do Festival de Verão ‘Energias de Vida’, contam com contribuições de arte educadoras Dan Baron, Manoela Souza, Zequinha Souza, Camila Alves e Evany Valente do Rios de Encontro, profissionais colaboradores de Marabá Andre Souza, Gabriela Silva e Kenny Araujo.

Cursos e Eventos do Festival de Verão (panfleto)

Festival da Pipa (panfleto)

Qualquer pessoa interessado pode escrever para riosdeencontro@gmail.com ou ligar para Manoela Souza, (94) 9192 0171.

Publicado em Advogando, AfroMundi, Bicicletada, Cine Coruja, Festival de Verão, Folhas da Vida, Latinhas de Quintal, Nem um Pingo!, Publicações, Sopros de Quintal | Deixe um comentário

Rios de Encontro recebe prêmio nacional e abre inscrições para cursos de verão

O projeto sociocultural Rios de Encontro celebre hoje um prêmio nacional da Brazil Foundation para realizar seu novo projeto ‘Gira-Sol: Gestão de Energias Vitais’. O único projeto cultural a ser premiado do Pará e um dos 33 projetos premiados de 784 proponentes, Gira-Sol será lançado no Festival de Verão que abre inscrições para seus cursos no dia 23 de junho.

Em Belém, onde os coordenadores do projeto estão finalizando planos com parceiros na Universidade Federal do Pará e com redes internacionais para realizar uma série de consultas públicas no segundo semestre, arte educadores Dan Baron e Manoela Souza concederam uma entrevista com o JCT para explicar o motivo e oportunidades do Festival. “Este prêmio afirma o reconhecimento nacional e internacional de Rios de Encontro como um projeto de qualidade artístico-educativa e de Cabelo Seco como uma Universidade Comunitária dos Rios”, afirma Dan Baron.

Depois de seis anos de atuação cultural, Camila Alves oferece cursos de dança no festival de verão.

Depois de seis anos de atuação cultural, Camila Alves oferece cursos de dança no festival de verão.

“Escolhemos o tema ‘Energias de Vida’ para responder a três desafios eco-sociais no coração da vida de nossa comunidade e do mundo atual: gerações cada vez mais exaustas pela vida de consumo de TV e pela falta de sono causada pelo uso noturno do celular; obesidade e passividade causadas pelos vícios de fast food, refrigerante e ansiedade sobre aumento de violência; e o que nossos jovens e mestres chamam ‘a mentira verde’, a cultura totalitária da Vale e seus políticos, promovendo a hidroelétrica de Marabá através de festa popular, propaganda em cada jornal, e ameaça a deixar quem que questiona fora do mercado. O Festival de Verão quer oferecer dança comunitária, saúde alimentar e energia solar como alternativas vitais, e convida governantes e mineradoras a escutar o povo e defender seu ‘projeto verde em rodas abertas.”

Dan Baron elogiou a coragem do Ministro de Energias no Chile pela sua decisão na semana passada de vetar a construção de uma hidroelétrica em Pagadoria, para proteger a beleza da região, a sustentabilidade do meio ambiente, e a vida dos povos ribeirinhos. “Mesmo que o edital da derrocagem do Pedral do Lourenção foi anulado por motivos técnicos, políticos ou econômicos, abriu uma espaço para o povo consultar os cientistas e insistir que os políticos tomem decisões responsáveis para seus netos”.

E depois de seis anos de formação artística com as Latinhas de Quintal, arte educadora popular Evany Valente oferece cursos de sopros e percussão.

E depois de seis anos de formação artística com as Latinhas de Quintal, arte educadora popular Evany Valente oferece cursos de sopros e percussão.

Numa conversa extensa com o Grupo de Estudos em Alternativas Energéticas na UFPA-Belém, os gestores do Rios de Encontro ficaram assustados já que nem cientistas com referências continentais foram consultados antes de iniciar as obras de Belo Monte e ou anunciar licitações para construir a Hidroelétrica no Tocantins.

“Tudo que oferecemos no festival”, complementa Manoela, “vai casar formação social, cuidado ambiental e o que todos nós queremos: alegria de bem estar! Seja um mini curso de inglês, literatura, radio-jornalismo, composição musical ou artes visuais, ou uma oficina de dança, sopros, violão, percussão ou horta medicinal, as três energias que vão gerar um verão que planta vida e coragem de questionar e se posicionar!”

“Paralelamente”, encerra Dan, “vamos lançar nosso primeiro festival de pipa e programação do Cine Coruja na rua, da nossa biblioteca e nossa bicicletadas, tudo coordenado por jovens. Jovens em Marabá são inteligentíssimos, mas muitos sao condenados a morrer cedo – de uma violência que vem de políticas devastadoras, ou lentamente, de uma vida de sonhos impostos que consomem responsabilidade social, família e comunidade. Porque o mundo ‘desenvolvido’ quer largar consumismo e substituir hidroelétricas com energia eólica e solar? O festival lançará um semestre de debate e práticas sobre propostas alternativas.”

Publicado em Advogando, AfroMundi, Bicicletada, CineCoruja | Com a tag , | Deixe um comentário

Cabelo Seco ganha seu primeiro Festival de Verão no dia 07 de junho.

O novo outdoor anuncia o Festival de Energias de Vida, na parede da 'Galeria do Povo' em Cabelo Seco.

O novo outdoor anuncia o Festival de Energias de Vida, na parede da ‘Galeria do Povo’ em Cabelo Seco.

Rios de Encontro anunciará no dia 07 de junho, aniversário de Cabelo Seco, as datas dos mini-cursos e ações comunitárias do primeiro Festival de Verão: Energias de Vida, como presente para o bairro matriz de Marabá. Cientes sobre a importância da Praia Tucunaré na cultura da comunidade e do descanso, a coordenação juvenil e adulta criou esta iniciativa para garantir estimulação cultural e social durante verão, em particular para jovens e crianças. O festival acontecerá entre dia 30 de junho e dia 02 de agosto, e estará aberto a cidade inteira.

“Três anos atras, este festival ainda era um sonho em construção,” explica Dan Baron coordenador do Rios de Encontro. “Desde do inicio do projeto, priorizamos a formação de jovens como artistas e arte educadores comunitários que respeitam a inteligência e desafios de sua comunidade. Hoje, seis anos depois, temos jovens educadoras de Cabelo Seco, preparadas para compartilhar conhecimentos e paixões, que dividem os mesmos valores e visão de uma comunidade independente e sustentável.”

Artista e arte educadora Evany Valente (15 anos) ensina mestre Zequinha numa aula de sax. Ambos vão oferecer cursos no Festival de Verão.

Artista e arte educadora Evany Valente (15 anos) ensina mestre Zequinha numa aula de sax. Ambos vão oferecer cursos no Festival de Verão.

“Isso é um sonho realizado”, disse Zequinha Souza, mestre da cultura popular e diretor musical do projeto. “Nossos jovens e pais tem que ter mais opções de que praia, festa e novela. Mas ainda mais significativo, temos jovens hoje que entendem as necessidades da comunidade e reconhecem a comunidade como gente, por que são daqui. Isto so foi possível por que preocupamos com um projeto de formação, não de números. E agora, quando descanso, sei que tem uma nova geração capaz de sustentar nossa rica cultura popular.”

A decisão de oferecer o festival de verão na data do aniversário de Cabelo Seco foi pensada com cuidado. “Queremos oferecer um presente duradoura a nossa comunidade,” disse Manoela Souza, gestora do projeto, “e também definir as dimensões sociais e formadoras da Cultura. É bom celebrar, mas o que sobra depois de mais uma festa? Nosso Festival de Verão muda esta lógica. Vamos chamar nossos artistas para valorizar raízes, coragem de questionar e inovar, capacidade estética. Os governantes aqui não vão entender isso enquanto pensam que a cultura é uma ferramenta política e econômica ao sevicio deles.”

O Festival de Verão oferecerá mini-cursos intensivos de formação em artes visuais, música, dança, inglês, literatura, composição musical digital, radio comunitária-profissional, e redação (para ENEM). Estes são complementados por rodas de historia viva e cultura viva comunitária e oficinas sobre questões profundas relacionadas ao futuro de Cabelo Seco, saúde, energia solar, segurança comunitária e educação sem paredes. O festival incluíra mostras de filmes infantis, juvenis e adultos, um festival de pipa, uma bicicletada pela preservação do Pedral de Laurenção, e finaliza com um curso de formação (09-11 de agosto), ‘Arte Educação para cultivar Escolas e Comunidades Sustentáveis’, para professores, gestores e artistas.

“Realizamos um curso de formação para 120 professores e gestores em 2009 em parceira com o GAM”, explica Dan Baron, “e dado as demandas do projeto em Cabelo Seco e nossa agenda nacional e internacional, foi impossível encontrar um espaço para todos que não poderiam participar ou queriam aprofundar. Mas beneficiará da convivência em Cabelo Seco e oferece uma oportunidade de compartilhar com Marabá os avanços no mundo. Hoje em dia, a UNESCO e outras redes fortalecem diversidade, comunidade e direitos humanos como base de democracia participativa, alfabetização intercultural e responsabilidade juvenil. Estas serão os princípios do curso e do festival de verão ‘Energias de Vida’.”

Detalhes sobre cada curso do Festival de Verão: Energia de Vida são disponíveis de Mano Souza (riosdeencontro@gmail.com e fone: 91 8842 0521), a partir do dia 18 de junho. Inscrições abrem no dia 23 de junho.

Publicado em Advogando, AfroMundi, Bicicletada, CineCoruja, Folhas da Vida | Deixe um comentário

Cine Coruja estreia ’12 Anos de Escravidão’ em Cabelo Seco

Hoje, sábado, dia 31 de maio, em Cabelo Seco, Velha Marabá, nosso cinema comunitário Cine Coruja estreia o premiado filme ’12 Anos de Escravidão’.

Nosso Cine Coruja estrela o filme '12 Anos de Escravidão' amanha no Barracão de Cultura no cinema comunitário de Cabelo Seco.

Nosso Cine Coruja estreia o filme ’12 Anos de Escravidão’ no Barracão de Cultura no cinema comunitário de Cabelo Seco.

“Somos orgulhosos a ser o primeiro cinema na região para apresentar este filme de altas relevância social e qualidade artística”, afirma Evany Valente, jovem coordenadora do Cine Coruja. “Queremos promover reflexão sobre as sequelas vivas da escravidão no Brasil, particularmente o medo de se manifestar nas regiões Norte e Nordeste, e aqui, na Amazônia. Tou louca para assistir ele. Vai lotar!”.

“Na região amazônica, o preço de silêncio é caríssima”, reflete Zequinha Souza, mestre de cultura popular no projeto. “Nos que sofremos genocídios, chacinas, invasões econômicas e a Guerra de Araguaia, sempre precisávamos de se esconder para sobreviver. Carregamos memórias vivas não resolvidas na pele que nos calam e nos tornar cúmplices com projetos contra nossa inteligência, vontade e própria vida, e que prejudica a vida do mundo. Este filme explica porque”.

A noite comece as 19h30 com uma curta, o video Bicicletada pelas Arvores e pelos Rios, de Rabetas Vídeos e encerra com um sorteio cultural e chuva de reflexão!

Publicado em Advogando, Arquivo, CineCoruja | Deixe um comentário

Rios de Encontro leva Amazônia a Teia Nacional de Diversidade Cultural‏ e lembra de Maria Silva e Ze Claudio

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Folhas da Vida e Rabetos Videos representam Cabelo Seco na celebração da vida de Maria Silva e Ze Claudio Ribeiro no aniversario do assassinato do casal.

Nosso projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou uma serie de ações culturais na semana passada com uma contribuição na conferencia sobre ‘Leitura e Cultura Popular’ durante a Teia Nacional de Diversidade Cultural em Natal e na ‘Caminhada pela Vida’ em Nova Ipixúna para lembrar o projeto extratavista da eco-pedagoga e arte educadora popular, Maria da Silva, assassinada com seu esposo, Ze Claudio Ribeiro no dia 24 de maio de 2011.

Depois de acompanhar gestores do Ministério de Cultura na Abertura da Teia onde a Ministra Marta Suplicy afirmou a cultura comunitária como base da democracia e direitos humanos, Dan Baron, Coordenador do projeto Rios de Encontro, realizou uma oficina para a Conferencia Livre sobre Cultura e Educação Popular, antes de pular para participar como convidado na conferencia sobre Leitura e Cultura Popular. “Minha oficina afirmou educação popular pela diversidade cultural”, disse o arte educador de Cabelo Seco, “como base de direitos humanos e democracia comunitária. Em menos de uma hora, participantes do país inteiro cantaram, dançaram, fizeram teatro e artes visuais, para vivenciar uma nova proposta de educação integral, enraizada na cultura popular. Impulsionou dois dias de debate!”.

Na conferencia sobre bibliotecas comunitárias, Dan compartilhou a evolução nos últimos três anos do projeto ‘Folhas da Vida’ do projeto Rios de Encontro, enraizado em Cabelo Seco desde 2008. “Ficou evidente porque foi convidado pela Biblioteca Nacional”, explicou Dan. “O pais inteiro tem um desafio imenso sobre analfabetismo funcional, particularmente na região Norte. Mas nosso projeto esta inovando cada vez mais para superar estes desafios, garantindo a integração das crianças e dos jovens na leitura a partir das artes e a coordenação juvenil”.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

Bibliotecários comunitários discutem novas propostas na conferencia sobre leitura e cultura popular.

“Porem, também alertei a conferencia sobre as ameaças acontecendo no sudeste do Pará com a acelerada comercialização do Rio Tocantins,”, disse Dan, “no somente ao meio ambiente, mas a independência da reflexão e do imaginário, por causa do particiono da Vale e outras mineradoras nas áreas de cultura e educação. Como falei no seminário Pacto pela Leitura em Marabá na semana anterior, é muito perigoso deixar a Vale comprar estas faculdades humanas para sanar sua imagem como a empresa mais violentadora no mundo dos direitos humanos de seus trabalhadores e do meio ambiente”.

Mais uma vez, Dan Baron percebeu que no pais inteiro, não somente em Marabá, há uma falta de debate e de consulta sobre os danos que vão acontecer na próxima década com a comercialização da Amazônia. “Por constituição, os prefeitos da região tem uma obrigação legal e responsabilidade social para apresentar e discutir em público a evidencia cientifica, para que o Brasil possa tomar uma decisão informada”.

Os povos indígenas fizeram protestos culturais na Teia, alertando os 5000 participantes e o mundo sobre sua leitura dos rios e das florestas. O projeto Rios de Encontro foi aplaudido fortemente pela coragem de seus jovens gestores e adultos.

No final de semana passada, Manoela Souza, Dan Baron e Zequinha Souza acompanharam seis jovens dos micro projetos ‘Rabetas Videos’ e ‘Folhas da Vida’ para acompanhar a caminhada ‘As Florestas Choram’, para marcar os terceiro aniversario do assassinato de Maria da Silva (da Pedagogia do Campo, UFPA) e Ze Claudio Ribeiro. “Oferecemos os seis jovens coordenadores afro-indigenos de Cabelo Seco como sementes do futuro”, disse Manoela, gestora cultural do Rios de Encontro. “Demonstram que há uma nova geração que esta bem comprometida com o futuro dos rios Tocantins e Itacaiúnas. Sabem como ler os rios e os ventos, sabem ler o futuro. Mas nem os políticos de Marabá nem de Brasilia estão escutando eles”.

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a ser assassinado de que jovens em qualquer outro região de Brasil,  como 'sementes do futuro'

Mano Souza apresenta Erivaldo, Antonio, Alanis, Brendon, Brian, Igor e Rafael de Cabelo Seco, 12 vezes mais vulneráveis a serem assassinados de que jovens em qualquer outra região do Brasil, como ‘sementes do futuro’

Os jovens foram profundamente sensibilizados pelo acampamento na floresta e pela convivência com mais de 250 participantes de projetos e movimentos sociais dedicados a uma Amazonia sustentável. “Nosso Mestre Zequinha tocou ‘Matagal’ no meio da floresta, na casa de Maria e Ze Claudio,”, sorriu Brendon Alves, “e nos sustentou durante a caminhada. Nunca imaginávamos que teríamos tanta força para caminhar oito quilômetros, embaixo do sol e na lama, mas descobrimos nossa coragem, caminhando. Agora, queremos escrever nossa própria música e criar videos, para sensibilizar e alertar nossa geração. Não quero morrer assassinado, e nem quero morrer por causa da destruição de nossos rios.”

Publicado em Advogando, Arquivo, Folhas da Vida | Deixe um comentário

Rios de Encontro realiza ‘1 Semana de Viva a Mãe Natureza!’ para celebrar Dia das Mães

Acabamos de realizar um fim de semana de Corda Bamba, Cine Coruja, Bicicletada e Biblioteca para finalizar a 1 Semana de Viva a Mãe Natureza, dedicada as Mães de Cabelo Seco e de Marabá. Parte da celebração de Energias de Vida, a semana contou com colaborações de artistas do Rio de Janeiro e da Barcelona, os artistas da rua, Mara Bamba e Boby Mola.

Bobi e Mara toca o digeridoo na escola Judith Gomes Leitão para celebrar a diversidade cultural.

Bobi e Mara toca o digeridoo na escola Judith Gomes Leitão para celebrar a diversidade cultural.

Depois de rodas gestoras, a semana começou na quarta feira passada quando o projeto levou os artistas da rua a escola parceira Judith Gomes Leitão para realizar quatro oficinas sobre ‘energias da vida’. Mais de 500 alunos ouviram a história a da vida da Mara e do Bobi, que iniciou-se com sua decisão de deixar uma digna vida profissional para aprender com o mundo. Depois de dois anos de viagem de carvalho e bicicleta, encerrarem sua caminhada com uma viagem de três meses no Rio Araguaia. A partir de vivências com comunidades que cuidam de sementes tradicionais e com catadores e recicaladores de lixo, o casal optou em criar uma balsa de materiais reciclados, parando para dialogar com povos indígenas e ribeirinhas, e compartilhar sua visão eco-pedagógica com escolas e projetos comunitários.

Mara realiza entrevistas na plateia sobre a construção da usina hidroelétrica de Marabá que vai acabar com o Rio Tocantins.

Mara realiza entrevistas na plateia sobre a construção da usina hidroelétrica de Marabá que vai acabar com o Rio Tocantins.

“Ficamos impressionados que ninguém tem uma noção sobre os impactos socio-ambientais que a derrocagem do Pedral de Laurencao e a construção das reprises vão causar”, disse Mara, formada em Desenho Industrial no Rio de Janeiro. “Mas quando contamos nossa historia, mostrando fotos da diversidade de plantas, pássaros, animais e culturas que os Rios Araguaia e Tocantins acolhem, percebemos o amor pela natureza e conhecimento dela que os jovens de Marabá tem. Ninguém quer perder isso”.

O Bobi toca músicas populares diversas no violino classico, derrubando preconceitos.

O Bobi toca músicas populares diversas no violino classico, derrubando preconceitos.

“Nos diálogos com os alunos”, afirma Bobi, formado em Física na Universidade de Barcelona. “nos disseram que nenhuma família foi consultada sobre a construção da hidroelétrica. Ninguém sabe sobre os efeitos catastróficos acontecendo em Altamira, a prostituição infantil e aumento de violência que vem com a invasão da cidade por milhares de trabalhadores, para construir estas obras imensas. Mostramos como integramos energia solar na nossa balsa como uma forma de energia alternativa e nos perguntaram porque o governo esta investindo em projetos tão destrutivos.”.

“No inicio de cada oficina”, conta Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro, que levou o casal a escola, “o Bobi tocou o primeiro sopro no mundo, o ‘digeridoo’ dos povos tradicionais da Australia, e depois encantou todos com seu violino. A Mara demonstrou a arte da corda bamba no final. Ambos celebraram a importância de estudo, destacando paciência, vontade e prática como o segredo de realizar qualquer sonho. Mas afirmou a suprema importância de questionar e abraçar valores de cuidado ambiental e amor pela Mae Terra para garantir um planeta sustentável”.

A Mara demonstra as qualidades de paciência, vontade e prática na corda bamba, metáfora para a realização de sonhos.

A Mara demonstra as qualidades de paciência, vontade e prática na corda bamba, metáfora para a realização de sonhos.

Uma oficina de Corda Bamba para crianças e mães iniciou a celebração da Mãe Natureza na Pracinha do Cabelo Seco na sexta-feira, antes da projeção do filme ‘Valente’ na noite, na parede das casas do PAC. No sábado, 60 jovens realizaram a Bicicletada pela Mãe Natureza, saindo do Cabelo Seco rumo a nova parceira, escola Jonathan Pontes Athias. “Temos muito respeito para Rios de Encontro,” disse Diretora Sheila Luiza. “Apreciou nossas danças antes de apresentar músicas das Latinhas de Quintal e a arte dos visitantes. Nossos alunos gostaram muito. Rios de Encontro inspirou esperança e responsabilidade. Vamos marcar mais colaborações!”.

Viviane Suares do micro-projeto Biblioteca Folhas da Vida entrega livros a diretora Sheila Luiza no ato de celebrar a escola Jonathan Pontes Athias como parceira do Rios de Encontro.

Viviane Suares do micro-projeto Biblioteca Folhas da Vida entrega livros a diretora Sheila Luiza no ato de celebrar a escola Jonathan Pontes Athias como parceira do Rios de Encontro.

O dia encerrou com uma oficina de Cartas de Amor na Biblioteca Folhas da Vida para as mães do Cabelo Seco. No Dia das Mães, Rios de Encontro despediu do casal, recebendo a balsa internacional como doação eco-pedagógica para o micro-projeto Rabetas Videos.

Bicicletada pela Mãe Natureza encerra com seu retrato ritual na 'galeria-do-povo'  que celebra a ultima samaumeira no Rio Itacaiunas, arvore ameacada pelo descuido ambiental atual dos governantes.jpg Bicicletada pela Mãe Natureza encerra com seu retrato ritual na ‘galeria-do-povo’ que celebra a última Samaumeira no Rio Itacaiúnas, arvore ameaçada pelo descuido ambiental atual dos governantes./caption]

Publicado em Advogando, Arquivo, Bicicletada, CineCoruja, Folhas da Vida, Latinhas de Quintal, Residências | Deixe um comentário

Cabelo Seco transforma tragédia em sementes de esperança

Uma semana depois dos assassinatos do Renan Costa de Sousa e do Douglas da Silva de Xavier no dia 13 de abril, o projeto sociocultural Rios de Encontro já estava realizando três novos passos inesperados, transformando tragédia em uma plataforma de esperança e determinação. Um mês depois, os jovens em maior risco estão assumindo a liderança de uma nova fase do projeto.

Rabetos Vídeos concluem sua primeira semana de aulas de violão com mestre Zequinha.

Rabetos Vídeos concluem sua primeira semana de aulas de violão com mestre Zequinha.

A entrada na roda de Violões da Vida do mestre Zequinha do micro-projeto mais novo, Rabetas Vídeos, e da percussionista Elisa Neves do micro-projeto fundador e mais conhecido, as Latinhas de Quintal, integra alguns dos jovens considerados mais em risco e mais vulneráveis no bairro, incluindo o irmão do Douglas. Mas estes jovens já tem um ano no projeto Rios de Encontro, estão filmando e editando seus próprios primeiros vídeos e fazem parte da coordenação da Bicicletada da Vida. “Somos um coletivo comprometido”, afirma Brendon, “conscientes sobre as causas da violência aqui e no pais – a exclusão, a pobreza, e a violação de nossos rios e florestas. Violência gera violência. Sabemos o que temos que mudar.”.

Elisa das Latinhas de Quintal troca percussão para violão com mestre Zequinha. Ela pretende montar um curso de verão.

Elisa das Latinhas de Quintal troca percussão para violão com mestre Zequinha. Ela pretende montar um curso de verão.

Elisa já tem seis anos no projeto, coordenou a recepção de uma a bicicletada ao seu ‘novo’ bairro Liberdade no ano passado, e esta aprendendo violão como preparação para ministrar seu primeiro curso piloto de percussão em maio. “Quero ser uma percussionista profissional, e já me sinto qualificada para compartilhar tudo que aprendi.” Elisa se integra com outros jovens professoras Evany Valente (violão e sopros) e Camila Alves (dança) da Universidade Comunitária dos Rios para oferecer cursos para o primeiro Programa de Verão em julho.

Rafael Varão (coordenador da biblioteca Folhas da Vida) e Matheus Sá (Latinhas de Quintal) estudem o primeiro boneco do novo jornal comunitário Nem Um Pingo que vão  lançar na semana depois do Dia das Mães.

Rafael Varão (coordenador da biblioteca Folhas da Vida) e Matheus Sá (Latinhas de Quintal) estudem o primeiro boneco do novo jornal comunitário Nem Um Pingo que vão lançar na semana depois do Dia das Mães.

Iniciou na última semana também a idealização do jornal comunitário Nem um Pingo, por jovens coordenadores Rafael Varrão e Matheus Sá. O projeto surgiu em 2012 como uma iniciativa da Carolayne Valente das Latinhas de Quintal e da Cia AfroMundi. “Queremos continuar com entrevistas explosivas,” explica Matheus, “que tocam questões sensíveis que ninguém quer mencionar. Nenhuma liderança aqui falou sobre as mortes de Renan e Doglinho. Desaparecem no silêncio de sofrimento e medo. O jornal vai falar.” Rafael continua: “O jornal vai também alertar a comunidade sobre o projeto violento da Vale. Ninguém aqui foi consultado sobre a construção da hidroelétrica. Temos direitos na constituição. Cade?”

Latinhas de Quintal cantam Amazonia Nossa Terra na Feira de Sementes Tradicionais.

Latinhas de Quintal cantam Amazonia Nossa Terra na Feira de Sementes Tradicionais.

Domingo passado, todas as jovens coordenadores da Universidade Comunitária dos Rios participaram na primeira Feira de Sementes Tradicionais, convidados pela UNIFESSPA que quer aproximar saberes e culturas populares com conhecimento acadêmico. Foram o único projeto urbano e juvenil convidado. As Latinhas de Quintal e AfroMundi apresentaram obras agora bem maduras, e a biblioteca Folhas de Vida apresentou um poema e uma letra dedicados ao projeto da Maria da Silva, colaboradora do projeto e eco-pedagoga da UFPA, assassinada em maio de 2011.

Viviane do projeto Biblioteca Folhas da Vida le o poema Vento Norte na Feira de Sementes Tradicionais.

Viviane do projeto Biblioteca Folhas da Vida le o poema Vento Norte na Feira de Sementes Tradicionais.

“Os jovens do projeto ficaram impressionados com o fato que Brasil é o maior consumidor de agro-tóxicos no mundo e foram elogiados como sementes ecológicos exemplares,”, disse Dan Baron, coordenador do projeto, “e tem uma ética que poucos percebem, por causa do preconceito que os cercam. Dividem tudo, amam e cuidam da natureza, e atras de seu silêncio e aparente timidez, tem a coragem de inovar e ensinar. Sábado passado, entrevistaram jovens de Barcelona e Rio de Janeiro que passaram três meses no Rio Araguaia, numa balsa de materiais reciclados. Ontem, editaram seu primeiro vídeo. Hoje, estão discutindo como transformar a balsa doada em uma ilha de edição e vídeoteca, Os Rabetos Vídeos tem ética e a coragem de se questionar e questionar o mundo que os violentou.”

Rios de Encontro crescem na Feira de Sementes Tradicionais

Enquanto as jovens lideranças preparam seus cursos de verão, Dan Baron foi para Brasilia para compartilhar a proposta de protagonismo juvenil num seminário nacional da Confederação dos Trabalhadores Agrícolas. Recebi convites do Distrito Federal, Rondônia, Maranhão e Acre para realizar cursos de formação sobre estas pedagogias que cultivam ousadia ética.

Publicado em Advogando, AfroMundi | Deixe um comentário

Rios de Encontro cria parceria com nordeste para fortalecer Energias de Vida

Entre dias 11-15 de abril, o projeto socioeducativo Rios de Encontro realizou um curso de cinco dias de formação artístico-cultural com jovens de oito povos indígenas de quatro estados do nordeste, como parte de uma colaboração com o Pontão de Cultura Thydewá em Ilhéus, Bahia. O curso é o primeiro passo de uma colaboração de um ano viabilizada pela Organização de Ciências, Educação e Cultura das Nações Unidas (UNESCO) em colaboração com o Ministério de Cultura, que pode incluir uma troca cultural entre jovens artistas e lideranças de Cabelo Seco e de aldeias indígenas nordestinas, em busca de energias de vida.

Dan Baron, coordenador do projeto Rios de Encontro voltou do encontro internacional Chico Vive Washington e logo se dirigiu para a ‘oca sagrada’ na sede de Thydewá para contribuir a colaboração. “Fiquei profundamente inspirado pelo novo contato com a beleza, consciência ecológica e carinho comunitário da cultura indígena”, disse Dan na sua volta a Cabelo Seco, “e encantado pelo compromisso dos jovens com a preservação das energias da Mae Terra através da dança, energia solar e o cultivo de sementes agroecológicas tradicionais, a partir de sua identidade cultural”.

A colaboração surgiu durante o Fórum Social Temático realizado em Porto Alegre em janeiro de 2013 quando o Presidente de Thydewá, Sebastian Gerlic, vivenciou uma oficina de alfabetização cultural ministrada por Dan Baron que forma gestores, educadores e jovens para criar projetos sustentáveis. “O Pontão de Cultura Thydewá já sabia sobre nossa proposta através dos monumentos de Eldorado dos Carajás e dos Outros 500 Anos (no Monte Pascoal no sul de Bahia, 2001). Mas esta colaboração revelou como formar jovens como lideranças comunitárias, o princípio chave de Rios de Encontro.”

Jovens indígenas estudam o calendário Rios de Encontro para entender os desafios e propostas alternativas na Amazônia.

Jovens indígenas estudam o calendário Rios de Encontro para entender os desafios e propostas alternativas na Amazônia.

Os jovens indígenas, escolhidos a dedo por sua capacidade comunicativa e compromisso social transformaram o calendário do projeto Rios de Encontro em um recurso pedagógico, estudando sua mistura de foto-narrativa, poesia e textos como livro dialógico e para conhecer os desafios e propostas da Amazônia, no sudeste do Pará. “Mas o processo foi uma escuta e uma troca nos dois lados”, afirmou Dan. “Aprendi muito sobre o poder inclusivo, cicatrizador e socioeducativo da roda dançante, o Toré, e fiquei profundamente comovido pela solidariedade dos indígenas”.

Povos indígenas se solidarizem com Renan de Souza e os jovens de Marabá.

Povos indígenas se solidarizem com Renan de Souza e os jovens de Maraba.

O dia depois de sua chegada, Dan recebeu noticias sobre o assassinato do jovem Renan Costa de Souza de Cabelo Seco que o abalou. “Logo após de contar as circunstancias da morte de Renan e como jovens em Marabá e na Amazônia são doze vezes mais vulneráveis a serem assassinados do que qualquer outra região do país, os indígenas se ajoelharam e pediram a Mae Terra enviar energias de vida para fortalecer a família de Renan. O Toré que seguiu foi de indignação. Entendem na pele como cortando laços, seja pela exclusão, expulsão ou pela sedução (no caso de Minha Casa, Minha Vida), cria condições férteis para violência.”

O primeiro encontro encerrou com um retrato de solidariedade nordestina para os jovens de Marabá. “Esta chacina de jovens, seja pela arma de fogo ou pela arma virtual na internet, só vai parar quando nossos jovens, escolas e políticos entendem a sua causa,“, disse Cacique Joel Braz Pataxó da Aldeia Barra Velha em Monte Pascoal. “Políticas que desrespeitam e acabam com nossos rios e florestas, cultivam desrespeito e morte. Não queremos sofrer ecocídio, a destruição do meio ambiente. Queremos cultivar a vida. Estuda este calendário, Marabá, e se liga, antes de ser tarde de mais!”.

Rios de Encontro volta a Ilhéus em julho com jovens de Cabelo Seco para fortalecer liderança afro-indígena. O projeto sediará debate sobre ‘energias de vida’ na sua programação Dia de Mae Terra, entre 3-10 de maio.

Publicado em Advogando, Arquivo | Deixe um comentário

Rios de Encontro celebra aniversário de Marabá no encontro ‘Chico Vive’ nos EUA

O projeto sociocultural Rios de Encontro contribui ao aniversario de Marabá local e internacionalmente, apresentando no canal da televisão RBA e contribuindo ao encontro Chico Vive em Washington, Estados Unidos de América, na presença de Marina Silva e mais de 120 diretores de ONGs do mundo inteiro.

Marina da Silva recebe um calendário da Camila Alves.

Marina da Silva recebe um calendário da Camila Alves.

Logo após de chegar na tarde do dia 04, Dan Baron, coordenador do projeto e Camila Alves, coordenadora da Cia AfroMundi, ouviram a ex-Ministra do Meio Ambiente e candidata a Vice presidência Marina Silva contar a historia de Chico Mendes e quanto influenciou ela enquanto jovem ambientalista, e afirmar a necessidade de repensar o projeto nacional de grande hidroelétricas no contexto de uma crise civilizatória que alcança os níveis econômico, social, politico, cultural e espiritual. Afirmou também a necessidade de criar uma agenda politica, em rede, capaz de implementar energia solar e energia eólica rumo a um mundo sustentável.

“Marina condenou a construção de hidroelétricas como projetão dos interessados em lucro imediato e poder,“ disse Camila, “e se emocionou quando expliquei a independência nosso projeto. Falou sobre a mesma ética que praticamos, e que temos que pensar sobre as dimensões econômica, politica, cultural, espiritual e ambiental tudo juntos. Senti-me parte do legado do Chico mesmo!”.

No segundo dia, no aniversario de Marabá, Camila Alves e Dan Baron escutaram duas mesas internacionais que resgataram a história detalhada do Chico e as violações dos direitos humanos e assassinatos de ambientalistas por governos, fazendeiros e mineradoras em cada continente do mundo. Imagens dos extrativistas Maria Silva e Jose Ribeiro foram apresentadas pelo Special Envoy das Nações Unidas que condenou o Brasil por ter a maior índice de violência contra ambientalistas no mundo.

Camila pesquisa arte indígena no Museu dos Povos das Américas.

Camila pesquisa arte indígena no Museu dos Povos das Américas.

“Apesar de ser a mais jovem participante do encontro,”, anotou Dan. “A Camila captou cada contribuição. Durante o debate, a apresentei a todos, bem no momento quando café de manha estava sendo servido em Cabelo Seco, e para concretizar nossos desafios atuais, mencionei que ela nem sabia quem era Chico Mendes ou a história de Eldorado dos Carajás que aconteceu uma hora de sua casa, ate começou a se preparar para Washington. Assim todos logo entenderem como a Vale poderia financiar o café de manha, mexendo com imaginário de Marabá para criar um consensos, em nome de Chico Mendes e responsabilidade ambiental.” O encontro todo manifestou sua grande preocupação sobre o projeto da UHM que não foi conhecida, e a falta de debate e consulta da população de Marabá. “Fiquei surpresa que os povos da América do Norte já mandaram seu governo desmontar todas as hidroelétricas, a favor de energia que protege a vida,” disse Camila.

Camila apresenta 'Raizes e Antenas' a conferencia Chico Vive, relacionando violência contra mulher com a violação do meio ambiente.

Camila apresenta ‘Raizes e Antenas’ a conferencia Chico Vive, relacionando violência contra mulher com a violação do meio ambiente.

Depois de uma visita as cascadas do grande Rio Potomac bem conservado, Camila e Dan voltaram a Universidade Americana para apresentar o espetáculo ‘Raízes e Antenas’. “A plateia internacional aplaudiu de pé, impressionada pela disciplina e beleza da arte da Camila e sensibilizada sobre este momento chave que a Amazônia brasileira está passando. A Camila tocou todos por sua generosidade e abertura. No final, lançamos nosso CD Amazônia Nossa Terra e o calendário do Rios de Encontro. Faltou exemplares!”, lembra Dan.

Na próxima manha, depois de contribuições de dança, vídeo e uma proposta para criar uma ação internacional numa oficina de ativismo criativo, os dois representantes do projeto iniciaram dois dias de visitas aos museus de Povos Americanas, do Ar e Espaço e da Arte Africana, o Tumulo do assassinado Presidente Lincoln que lutou pela libertação dos escravos e o monumento aos 50,000 soldados que morreram na guerra de Vietnã, a maioria negra, bem ao lado, e conheceu comida mexicana e da Etiópia, tudo parte de formação da Camila e pesquisa por seu próximo espetáculo.

Camila pesquisa arte afro-contemporânea no Museu de Arte Africana.

Camila pesquisa arte afro-contemporânea no Museu de Arte Africana.

“Encontrei-me nos museus”, disse a Camila, “e vejo minha historia como parte de uma historia maior de primos negros nas Américas. Nem Sabia que noventa por cento da Washington tem raiz africana. Talvez explique seu jeito hospitaleiro, sofrido e alegre. Um grande Cabelo Seco! E assisti 12 Anos de Escravidão na volta, no avião. Valeu tanta luta para conseguir meu visto!”.

Dan Baron e Camila Alves vão produzir um pequeno vídeo e narrativa fotográfica para Cabelo Seco, a escola Plínio Pinheiro e Marabá como parte de um relatório de ação internacional. “Há uma Marabá calada, bem explicada pelo filme 12 Anos de Escravidão”, concluiu Dan. “Ela tem que encontrar sua voz. Temos que cultivar muitos Chicos Mendes, como um Nigeriano falou no encontro, antes do derrocagem do Pedral do Laurenção.”

Publicado em Advogando, AfroMundi, Arquivo | 2 Comentários