2ª Carta de Elisa : Amazônia alcança Alemanha

Nessa segunda carta, Elisa Dias conta sua experiência na Alemanha em sua viagem de formação como gestora e produtora internacional com Dan Baron, na gestão da turnê europeia que vai acontecer em setembro-outubro de 2019.

Elisa e a turma de Cologne encerram uma ofiicna de ritmos afro-indigenas com placas preparadas pelos atos Sextas pelo Futuro.

Amigos e Amigas.

Minha experiência em Bélgica foi algo extraordinário pelos tantos aprendizados em poucos dias. Agora mais acostumada com a rotina de encontrar uma nova equipe ou organização duas vezes por dia, minha experiência na Alemanha me tirou da zona de conforto, e valorizar a liberdade de vivenciar o inesperado!

Chegando no país de Alemanha depois de uma hora e meia de viagem, eu e Dan fomos recebidos na super-moderna estação do trem da cidade medieval de Cologne, por Antônia Gogelsgang, gestora internacional responsável pela organização de todas as turnês do projeto KinderKulturaKaravane (Caravana Cultura Infantil), na União Europeia. Na cozinha do velho apartamento dela, cheio de tambores, bonecos, fotos e pinturas, descobrimos que a Antônia era Brasileira afroindígena de uma família humilde do interior de Pernambuco. Formada em Estudos Latino-Americanos e Ciências Políticas, já com uma história de vida em Moçambique, e fluente em Português, Alemão, Inglês e Espanhol! Antônia nos serviu com um prato de moqueca de camarão com arroz, enquanto que nos preparou para nosso primeiro dia! Em seguida, encontrei os jovens com quem dividia o apartamento, um percussionista e uma psicóloga.

Elisa dialoga sobre a vulnerabilidade de Amazônia com o Vice Prefeito de Cologne.

Na próxima manhã, após um ensaio no porão do antigo prédio, encontramos o vice prefeito, do Partido Verde, bem engajado na luta pela defesa da natureza. Estava com dor de garganta e resolvi em só tocar para não machucar minha voz, mas após prestigiar uma pequena amostra de um grupo de crianças e adolescentes de El Salvador, eu me descobri cantando e tocando com força a primeira apresentação do meu solo para o fórum internacional em Barcelona! Fui tão espontânea, e muito bem recebida. Mas percebi minha capacidade de superar o medo em adoecer a minha voz.

A curta introdução do Dan e meu solo ganharam uma conversa particular com o vice prefeito que ficou impressionado com uma jovem mulher que, com pouca idade e sem saber que Marabá era parte de Amazônia ou que tinha sangue africano e indígena nas suas veias, resgatou suas raízes e tornou-se defensora da Amazônia, pulmão do mundo. Se apaixonou com Rios de Encontro!

Elisa explica o calendário de Rios de Encontro ao pedagogo Bernd da cidade de Aachen.

Num almoço com professores de uma das escolas na região onde íamos apresentar, contei a história de uma criança buscando ventos para empinar sua pipa em tempos de seca. Como uma das coordenadoras de nosso festival da pipa, contei a história sobre a participação de meu filho Pietro e consegui sensibilizar e acalmar os professores experientes, preocupados com a capacidade de crianças entenderem porque Amazônia estava secando. Perceberem quanto as crianças na plateia soprando em solidariedade com a criança no palco, seriam os atores principais de fazer voar a pipa em nosso espetáculo. Cada pergunta gerou ideias ao levar nosso coletivo. Foi cansativo para mim por conta da tradução e tanta concentração, mas a conversar foi de tanta qualidade que me deixou ansiosa para montar o espetáculo com nosso coletivo AfroRaiz.

Elisa toca com um jovem de El Salvador no palco da Casa de Juventude.

A noite, assistimos o espetáculo comunitário de El Salvador, apresentado numa Casa de Juventude em Colongne. No palco, trocaram uma cena sobre desafios de explicar a bandeira nacional pelos dramas de sua experiência de viagem, uma história sobre sua identidade cultural. O teatro popular me encantou, e me provocou refletir sobre meu próprio solo, tão ensaiado e preso no medo de errar ou me machucar. Depois de prestigiar o espetáculo de El Salvador, animado, interativo com o público infantil, com personagens lúdicas e afetivas, fui chamada por Ulla, a mulher sabia e responsável pela nossa turnê na Alemanha, para apresentar uma previa de nosso espetáculo. Para não roubar a cena do grupo de El Salvador, convidei um menino do grupo para tocar comigo no palco e improvisei uma micro-oficina de palmas e ritmos, interagindo no palco com ele e brincando com a plateia. Meu solo apareceu, mas numa forma desconhecida por mim! Agradeci o público e convidei todo o elenco de El Salvador agradecer junto comigo.

Elisa reune com os gestores de uma escola em Cologne como parte da formação dela como gestora internacional. Dan cuidou das posições da tradutora e das gestoras para garantir que Elisa não foi excluída ou inviabilizada por acidente.

Naquela Casa de Juventude, uma gestora da casa nos contou que ali mesmo mulheres foram mantidas presas, fazendo trabalho escravo, ganhando pouco por muito esforço. Na saída, entendi um pequeno monumento na parede, entitulado ESCRAVIDÃO NUNCA MAIS.

O monumento sobre trabalho escravo feminino que sensibilizou Elisa.

No próximo dia, na madrugada, fomos para o aeroporto. Em Lisboa, tinha direito de colocar duas malas no porão, mas nessa viagem para Polônia, só uma foi permitida. Meu djembe profundamente embalado, ficou no porão, e ainda acordando, esquecemos minhas garrafas de higiene acima de 100ml na minha mala de mão. A regra foi rigidamente aplicada e perdi todas as garrafas.

Elisa e Dan se retratam ao lado das Metas do Milènio da ONU, como colaboradores, não como casal!

Mas no avião, uma aeromoça brasileira que nos atendeu, percebeu que eu falava português e logo perguntou se o Dan e eu éramos casados. Fiquei sem graça e ao mesmo tempo chateada pela forma das pessoas pensar sobre nós mulheres brasileiras viajando para outro país. Mas logo falei sobre o projeto amazônico e o porquê estava na Europa, e ela se interessou, até que me passou seu email e número de telefone, para avisá-la sobre a programação da turnê. Olhei para ela, presa na minha percepção e indignação, e a re-enxerguei, aberta ao inesperado, solidária com um projeto socioambiental.

Fiquei muito grata por essa minha formação, ansiosa para compartilhar tudo com os meus companheiros do coletivo AfroRaiz.

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1ª Carta de Elisa : Amazônia alcança Bruxelles

Elisa Dias e Dan Baron viajaram para Bélgica, Alemanha, Polônia e Espanha nas ultimas duas semanas para gestionar a turnê europeia do novo espetáculo ‘Rios Voadores’ do projeto Rios de Encontro, a ser apresentado pelo Coletivo AfroRaiz em setembro-outubro, 2019. Aqui, Elisa reflete sobre aspectos de sua viagem que a tocaram, na primeira de 03 cartas, para compartilhar sua experiência com as redes de amigos e amigas.

Elisa e ativistas de Sextas pelo Futuro se retratam em Bruxelles.

Meus amigas e amigos!

Quando eu estava saindo de Marabá, eu percebi que estava entrando em uma nova fase de minha vida, na qual sempre lutei para chegar, não só de conhecimento, graças o meus esforço e formação no projeto Rios de Encontro, de querer ser um pessoa bem informada, mas como artista e arte educadora e comunitária afro-indígena, capaz de defender Amazônia!

Elisa logo escolheu essa placa por sua irreverência e coragem!

Já de Belém até Bruxelas aconteceram muitas cenas inesperadas! Um uberista japonês-brasileiro nos levou ao aeroporto, e explicou porque vende Bitcom, acreditando que com a venda dessas moedas, não só melhoraria sua renda no Brasil, mas sobreviveria o colapso do dólar americano e a indústria bancária! Uma aula inesperada no banco atrás, meu djembe na mão, minha raiz protegida! Mas revelou quanto não sabia sobre o futuro.

Ao entrar no avião de Belém pará Lisboa, senti que estava com uma grande responsabilidade, indo para fora do Brasil, parte de um projeto bem maior, que vem defendendo a vida do povo amazônico durante décadas! Chegando em Lisboa, claro o clima mudou, desde a temperatura até o fuso horário. Mas logo chegamos em Bruxelles, comecei a perceber o quão é complexa viajar no planeta Terra! Nossas malas ficaram em Lisboa por não ter tempo do avião as transferir ao avião à Bruxelles, e percebi quanto eu confiava na autoridade no ‘primeiro mundo’!

Elisa Dias coordena a batucada coletiva de mobilização e motivação no movimento Levante Popular, que aumenta cada vez mais sua liderança.

Em Bruxelas eu fiquei encantada com a quantidade de árvores, pois a Bélgica é um país ‘avançado’ e imaginava que seria avançado só em tecnologia. Mas há um cuidado com o ser humano, com uma boa alimentação, com os refugiados e imigrantes, e com parques como direito humano de cada cidadã.

Monumento público na Praça do Parque Ambiorix que afirma masculinidade sensível.

No parque de Praça Ambiorix em Bruxelas tem uma estátua bastante desafiadora para quem não usa a imaginação para interpretar o significado de arte. Retrata um homem montado no cavalo, seguindo seus movimentos, não em posição militar, mas em atitude de respeito, conhecimento, sensibilidade trabalhadora. Que estátua carinhosa!

Outras estátuas me chamaram atenção. A jovem Belgica, uma mulher quase caindo, sem equilíbrio formal, balançando entre dança e paixão! Que país se retrata assim?

Elisa dialoga com eco-ativistas da Escola Europeia no escritório de Centro de Jornalismo Infantil próximo ao Parlamento Europeu.

Uma roda no escritório de Centro de Jornalismo Infantil com três segundaristas da Escola Europeia mudou completamente minha percepção de mim mesma! Numa sala cheia de placas caseiras sobre Greve Contra Colapso Climático, Gaia e Miguel explicaram em português como cobrem o movimento escolar Sextas Pelo Futuro, traduzindo minhas histórias sobre ativismo cultura para cuidar da Amazônia em inglês e francas pra sua colega, Nora.

Não tiraram seus olhos de meus, enquanto expliquei a situação grave sobre a ameaça àos nossos direitos humanos e à segurança social e climatica no país. Percebi que quase nada chega sobre América Latina e Amazônia à Europa! E esses filhos de deputados europeus e ONGs mundiais, a próxima geração de lideranças, estão famintos pra qualquer informação sobre Amazônia, qualquer esperança de diálogo e ação internacional! Sai de lá determinada pra levar Sextas pelo Futuro à Marabá!

Elisa se retrata diante uma escultura que valoriza o movimento continua de língua, memória, cultura e idéias, uma coluna que estrutura os temas nos 6 andares da Casa da História Europeia.

Em seguida, visitamos a Casa de História Europeia, onde tem as histórias contadas com objetos, panfletos, artes, clips, vídeos, máscaras de gás, cartazes, poesia e citações, para contar a história de lutas entre conquistadores e libertadores, até a guerra fria entre duas visões militarizadas sobre o futuro. Nunca imaginava Fascismo e Stalinismo como movimentos tão parecidos, de tanta repressão e genocídio industrializados!

Percebi a continuidade entre cada história, uma ligada à outra, na busca de ideais. Naquela grande exibição permanente de 6 andares, fez perceber que ainda tenho que ler muito e me desafiar enquanto futura caloura de história, para adquirir uma consciência histórica.

Elisa aprecia um o dialogo ecossocial entre energia limpa e industria sustentável próximo ao Parlamento Europeu.

Uma frase do Primeiro Ministro inglês Winston Churchill que comandou a luta contra Hitler, me indignou: “temos de virar as costas à violência da guerra e mergulhar na abençoada oblivião da amnésia, olhando ao futuro.”

Uma frase oposta de Simone Weil, sobrevivente de um campo de concentração, me inspirou: “sem memória, não tem como aprender com nosso passado, para não o repetir no futuro; sem memória, não tenho esperança.”

Elisa documenta a beleza natural nos parques de Bruxelles.

A cena que mais me atraiu foi uma státuas de uma mulher que não segue o padrão que a sociedade exige, inspirando e mostrando a luta do movimento feminista, vestida de uma roupa super colorida, orgulhosa de sua pele negra. Aí, me encontrei, nunca desistindo do que desejo agora, não deixando para amanhã o que posso fazer hoje, aproveitando da vida, de olho visionário consciente de tudo que já aconteceu.

Elisa estuda a escultura lúdica de Jean-Michel Folon no Museu Folon.

Encerramos nossa visita à Bruxelles com uma visita à Museu Folon, no meio de um parque de florestas e lagos, uma casa cheia das ilustrações, esculturas e instalações de um grande artista Bélgica que defendia todas as liberdades e o direito de sonhar e criar! Através da arte bem lúdica, engajada mas poética, pegou símbolos bem conhecidos mas os colocou em situações ou contextos inesperados. A gente vivência o direito de interpretar, se indignar, e se libertar, criando nossa própria consciência crítica e a confiança de transformar. Adorei!

Elisa Dias
Rios de Encontro
04.06.19

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Marabá já tem eco-pedagogia para tornar-se líder mundial

AfroRaiz abre o Ato pela Defesa de Educação Pública na frente da Unifesspa.

Os jovens arte educadores do Coletivo AfroRaiz que coordenam o projeto Rios de Encontro da comunidade Cabelo Seco, levaram eco-pedagogia ao Ato em Defesa da Educação Pública e à escolinha Theodoro de Mendonça na comunidade. Paralelamente, o projeto contribuiu à formação de estudantes de engenharia na Unifesspa e lançou questões eco-pedagógicas sem respostas no Encontro de Deputados Estaduais e Vereadores em Itupiranga dos sete municípios se preparando para a derrocada do Pedral do Lourenção.

Emprese Junior de Engenharia reune com Manoela Souza e Dan Baron na Casa dos Rios.

“Com orgulho, abrimos o Ato contra as cortes da educação pública”, disse Elisa Neves do AfroRaiz. “Nunca vi tantos cartazes filosóficos e poéticos escritos a mão, mostrando nossa riquíssima diversidade africana, indígena, europeia e de orientação sexual. Vi alunos e estudantes cantando filosofia, sociologia e psicologia, caminhando com livros de Paulo Freire, Florestan Fernandes e Darcy Ribeiro no ar, valorizando educadores brasileiros respeitados pelo mundo inteiro. E o Presidente do Brasil vem nos xingando como ‘idiotas úteis’ ao mundo, bonecos manipulados por uma minoria extrema, sem consciência própria. Cade seu orgulho brasileiro e ética exemplar?”

Elisa Neves coordena Levante Popular através de sua autoridade afro-raiz.

“Elisa traz ritmos de liberdade ao movimento estudantil Levante Popular”, disse Manoela Souza, gestora cultural do Rios de Encontro, “afirmando energias de raiz como projeto popular de celebração, em vez de militarização das escolas, casas e ruas. Uma dúzia de jovens percussionistas virou pulso de mais de 3000 defensores de educação gratuita e de qualidade amazônica!”

AfroRaiz anime 3000 participantes com sua excelência artística e humanidade coletiva.

“Através do resgate de nossas raízes culturais adormecidas, aprendemos uma forma de defender os Rios Tocantins e Araguaia, sem acusação ou ódio”, disse Évany Valente, percussionista do AfroRaiz. “Essa eco-pedagogia na rua e na escola virou um reflexo de como ler e cuidar do mundo, para sustentar a vida.”

Emprese Junior de Engenharia ajudou Amazon Solar, graduados do GEDAE na UFPA, na primeira fase de instalação em 2017.

Fundadores do Projeto, Dan Baron e Mano Souza reuniram com a Direção da Empresa Junior de Engenharia Elétrica na Casa dos Rios na quarta-feira para planejar a instalação de um sistema de energia solar, doado por parceiros do mundo. “Planejamento técnico virou um diálogo sobre cuidado socioambiental”, disse Dan. “Transformamos pânico sobre colapso climático em projeto eco-pedagógico, de como cuidar de nossa região e inspirar parcerias locais e internacionais. Queremos transformar cada escola, universidade, posto de saúde e delegacia de Polícia em um laboratório solar, de segurança do futuro para todos.”

Camylla Alves e Katrine Neves coordenam a roda de Carimbo para a escolinha de Cabelo Seco.

“Escutei os conhecimentos geológico e eco-pedagógico dos professores Leonardo Brasil e Cristiane Vieira de Cunha da Unifesspa que me levaram ao Encontro em Itupiranga”, disse Dan. “Perguntei para os governantes se haviam procurado pesquisa científica amazônica e independente antes de decidir derrocar o Pedral, para verificar a viabilidade ambiental do projeto, e evitar o aumento do ecocídio regional e mundial atual. Nenhum politico respondeu. Mas de repente, Professora Cris pegou o microfone e com coragem, leu a lúcida carta O Clamor do Lourenção! da comunidade ribeirinha Tauiry!”

Professora Cris Cunha da Unifesspa le a Carta O Clamor do Lourenção elaborada pela Comunidade Ribeirinha Extrativista Vila Tauiry (abril 2019).

“Marabá já é um dos poucos municípios no pais com um Projeto Político Eco-Pedagógico, mas a Semed não sabe como o implementar. Com maior concentração de florestas, rios e aquíferos no mundo, Pará já é gigante. Nossa região tem a sabedoria e a oportunidade de tornar-se líder mundial de responsabilidade ambiental.”

Camylla e Katrine coordenam uma roda de Carimbo para enraizar o bem viver na comunidade Cabelo Seco.

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AfroRaiz leva cultura sustentável às escolas e à Europa

Rerivaldo Mendes acompanha Conexão Afro na apresentação na Escola Liberdade.

O projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro da comunidade Cabelo Seco está realizando nessa semana a 3ª residência de Dança Percussão Afro-Brasileira, para fortalecer a cultura afroraiz na comunidade e nas escolas públicas de Marabá, e impulsionar 4 meses de preparação para uma turnê europeia, a defesa da Amazônia em setembro-outubro de 2019.

AfroRaiz estudam ritmos afro com Abayomi na criação de um novo espetáculo.

A residência integra contribuições nacionais da dançarina Simone Fortes e percussionista Áddia Furtado do Coletivo Abayomi de Florianópolis, Santa Catarina. Nessa 3ª residência com Simone, a formação artística do Coletivo AfroRaiz também incluiu o projeto Conexão Afro, enraizado na escola Irmã Theodoro desde 2018. Após uma oficina de formação e apoiado pelo Coletivo AfroRaiz, Conexão Afro levou sua apresentação afro à Escola Liberdade.

AfroRaiz motiva a Escola Liberdade questionar preconceitos sobre cultura afro, xingada como “macumba”.

“Acompanhar o progresso dos meus alunos juntamente com AfroRaiz me fez acreditar em um futuro melhor”, disse professora Doelde Ferreira, de Irmã Theodoro. “Isso é um processo continuo, não só no Dia da Consciência Negra. A transformação de resistência à cultura afro em renovação de raízes, segura e motiva todos nesses tempos de desespero. As sementes plantadas começam a crescer!”

Através das energias de dança e percussão, conseguimos transformar preconceitos contra a cultura Afro”, explica Camylla Alves do Coletivo AfroRaiz, fundadora da Cia AfroMundi desde 2012. “Essas sequelas de escravidão tem sido reforçadas pela cultura racista, misoginista e homofóbica sendo promovida pelo governo federal hoje. Nossa vivência nas escolas como arteducadoras em formação vem fortalecendo os direitos humanos de uma nova geração.”

Simone e Áddia integram jovens da escola, da comunidade e do projeto numa roda de sensibilização no final da oficina.

Na Casa dos Rios, o projeto Conexão Afro se integrou também com crianças de AfroMundi Juvenil e jovens coordenadores do projeto Salus e da biblioteca comunitária Folhas da Vida, relacionando arte, cultura, saúde e alfabetização ecológica, na valorização e defesa da Amazônia. “Estamos extremamente preocupados com a vulnerabilidade atual da Amazônia”, disse Évany Valente, percussionista e co-criadora de mudas medicinais no Coletivo AfroRaiz, estudando História na Unifesspa. “Os cortes que UFPA, Unifesspa e a educação básica acabaram de sofrer, prejudicam nossa capacidade de assumir nosso papel em evitar o colapso climático e contribuir à criação de um Projetão alternativo de Bem Viver.”

Elisa Neves, Evany Valente, Camylla Alves, Mano Souza, Katrine Alves e Rerivaldo Mendes estudam o documentário Nosso Planeta para entender colapso climático.

O Coletivo AfroRaiz está produzindo a residência como parte de sua formação ampla e pesquisando a crise ecológica mundial. Mas está preparando suas metodologias eco-pedagógicas da Amazônia para levar à Europa em setembro. Em três semanas, a percussionista e co-coordenadora do projeto Salus, Elisa Neves da EJA na escola Teresa Donato de Araújo, viaja para os países de Bélgica, Alemanha, Polônia, Holanda e Espanha, com o coordenador geral, Dan Baron. “Vamos finalizar preparações pela turnê e atualizar o Parlamento Europeu sobre os cortes decimando educação, saúde e cultura públicas no Brasil”, disse Elisa. “Mas vou tocar e cantar nossa visão Bem Viver, para mostrar a resiliência e potencial de nossa nova geração!”

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Jovens ajudam transformar novas práticas em lei de bem viver

O projeto Conexão Afro dança Carimbó na 1ª Gincana, orientada por Camylla e Katrine Alves de AfroMundi. A plateia gritou com admiração!

O projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado em Cabelo Seco desde 2009, Rios de Encontro, marca a conclusão de dois meses de oficinas de dança, percussão, audiovisual, flauta e jardins medicinais, com a primeira de quatro apresentações Afro-Brasileiras. Coincidam com a aprovação ontem na ALEPA da Lei Semana de Bem Viver no Estado do Pará, e a 3ª Residência de Bem Viver AfroRaiz, com a volta do Cia de Dança Abayomi de Florianópolis, rumo à uma Turnê Europeia em Setembro de 2019.

O projeto Conexão Afro oferece dança Afro-Brasileira com confiança, orientada por Camylla e Katrine.

“Estamos sentindo realizados com as apresentações na Iª Gincana da Escola Irmã Theodora”, disse Katrine Alves, co-coordenadora do jardim bem viver e colaboradora com Camylla Alves na oficina de dança da segunda turma do projeto Conexão Afro na Irmã Theodora. “Nosso orgulho vem do fato também que esta apresentação é fruto de nossa primeira gestão, produção e coordenação autônomas de um projeto, em três escolas!”

O projeto Conexão Afro agora domina percussão Afro, orientado por Elisa Dias do Rios de Encontro.

“Um fruto que simboliza muito”, disse Manoela Souza, gestora cultural e formadora do Coletivo AfroRaiz. “Coincide com a aprovação da Lei Semana de Bem Viver do Estado do Pará. Depois de tantos fóruns e festivais em Cabelo Seco dedicados ao resgate e reinvenção da visão indígena, Amazônia vem apontando um projeto alternativo ao maior desmatamento na historia. Bem no momento quando Cabelo Seco vem sofrendo disputas armadas entre traficantes causadas pelo aumento de pobreza, e nosso projeto sofre um assalto que levou violões, máquinas fotográficas e uma caixa de som, nossos jovens vem celebrando seu primeiro projeto escolar independente!”

O projeto Conexão Afro da escola apresenta dança afro na gincana. Os alunos agora estão em casa com sua raiz.

“É significativo que essa Lei de Semana Bem Viver está enraizada numa década de ação comunitária em Cabelo Seco e séculos de sabedoria indígena da América Latina”, disse Dan Baron, na volta de uma viagem para construir a turnê de arte educação na Europa. “No dia 15 de março, mais de um milhão de crianças e jovens de 120 países realizaram uma Greve Escolar Contra o Colapso Climático, inspirada pela jovem sueca, Greta Thunberg. Gerou o movimento ‘Rebelião Extinção’ que está mudando o imaginário do mundo”.

O jardim bem viver na Escola Darcy Ribeiro envolva alunos do resgate de saberes amazônicos e cuida da saúde popular.

“Mas acusar governantes de cumplicidade na violação da natureza, de ter roubado gerações de seu futuro, e de não ter feito seu dever científico, é insuficiente”, disse Dan. “Protesto chama atenção. Bem viver é um projeto, de envolvimento comunitário sustentável. Integra cultura, educação, saúde, segurança e produção de alimentos, ecológicas.”

O projeto Conexão Afro usa dança Afro-Brasileira para derreter racismo e homofobia.

Na segunda passada, Rios de Encontro realizou uma roda com jovens em alto risco, na Casa dos Rios, para pensar juntos como recuperar os violões e câmeras. “Não chamamos a polícia”, disse Manoela Souza. “Praticamos segurança comunitária. Explicamos que a violência econômica e repressora que geram pobreza, desespero e isolamento, causou o furto. O mal viver mundial. Sem violência predatória, Amazônia renovará o futuro.”

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Adultos escutam o grito mundial de crianças e jovens

Inteligência infantil sensibiliza autoridades pedagógicas e políticas na Escola Municipal Claudio Pinheiro de Lima, em Moeda, Minas Gerais.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado em Cabelo Seco desde 2009, a Rede Brasileira de Arteducadores (ABRA) e cidadãs da Rede Sonho Grande de Nova Zelândia, lançaram um laboratório solar escolar e um debate na Câmara dos Vereadores sobre cidades verdes, em Moeda, Minas Gerais, na sexta passada, como contribuição à Greve Mundial Juvenil em Defesa do Planeta.

“Estamos orgulhosos que realizamos este grande sonho”, disse Dan Baron, da coordenação de Rios de Encontro e da ABRA, “inspirado pelas ações de nossos jovens artistas de AfroRaiz durante o Fórum Bem Viver, em Moeda, em novembro passado. Mas estamos em luto também, em solidariedade com as comunidade muçulmana de Christchurch, Nova Zelândia, as famílias da Escola Raul Brasil em Suzano/SP e as populações de Moçambique, Malawi e Zimbabwe na África Sudeste, vitimas de catástrofes racista, psicoemocional e ambiental que acontecerem na mesma semana do lançamento. Essas expressões do atual modelo violento e autodestrutivo de desenvolvimento fortalecem nossa parceria de criar um modelo alternativo de bem viver.”

O Prefeito Leo Moura de Moeda celebra a consciência ecológica das crianças e afirma a iniciativa da Rede Brasileira de Arteducadores. Arteducadores

“Os seis placas solares no teto da Escola Municipal Cláudio Pinheiro Lima já inspiraram muita esperança em Moeda”, afirmou a Secretaria Vanda Emaculada, Secretária de Educação, no debate de sexta. Professora Vanda citou o impacto de Rios de Encontro nas escolas de Moeda durante o Fórum de 2018. “AfroRaiz levantou a autoestima de nossos alunos afrodescendentes e mostrou a capacidade de jovens assumirem responsabilidade social. As oficinas com crianças na sexta confirmaram a sensibilidade verde de nossa cidade. Mas as placas criam um foco. As crianças voltaram para casa empolgadas, multiplicadoras da consciência ecológica que o mundo precisa.”

Debate sobre Moeda sustentável na Câmara de Vereadores com Prefeito, Vice Prefeito, Secretarias de Educação, Assistência Social, Meio Ambiente, Presidente da Câmara, vereadores, Dan baron e Mano Souza.

“O município de Moeda se destaca como o único que resiste a pressão das mineradoras”, disse Gian Borba, músico-educador e morador de Moeda Velha que colaborou no lançamento na escola. “Temos uma lei que protege essa postura, mas para resistir a sedução da Vale, precisamos cultivar uma consciência ecológica em cada família. O laboratório solar escolar vai economizar na conta de luz, mas faz parte de um projeto bem maior: de criar uma Moeda inteiramente abastecida por energia solar!”.

Além da greve: placas solares no teto e parede da primeira escola de Moeda, Cláudio Pinheiro Lima, Moeda (MG).

Este projeto de paradigma bem viver motivou a Rede Sonho Grande em Hawks Bay (Baía do Gaivão) a doar as seis placas para Moeda. “Hoje é um dia inovador para vocês e para nós em Nova Zelândia”, disse Daniel Betty, professor e diretor de teatro juvenil, no vídeo assistido pelos vereadores na Câmara. “Mas nossa colaboração tem ainda mais urgência depois da catástrofe que aconteceu em Brumadinho, a cidade vizinha de vocês. A greve mundial inspira esperança. Mas um laboratório escolar de educação pela sustentabilidade gera confiança, pertencimento e projeto social.”

“O triângulo Moeda, Marabá e Hawks Bay, pulsa com energias de vida”, disse Manoela Souza, gestora do Rios de Encontro e da ABRA. “Em breve, alunos e professores viajarão por ele, como criadores de um planeta sustentável. As crianças em greve, vão nós agradecer!”

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AfroRaiz participa da greve mundial contra colapse ecológico

O Coletivo AfroRaiz se junta com o projeto Conexão Afro para inspirar moradores da comunidade Liberdade.

O Coletivo AfroRaiz se prepara para participar da Greve Mundial Escolar Contra Colapso Climático, que ocorrerá nesta sexta-feira (15), inspirada pela aluna Greta Thunberg, 15 anos, da Suécia. O movimento global infantil está sendo reconhecido por cientistas como “a melhor e última chance para salvar o mundo”.

O Rios de Encontro, projeto eco pedagógico e socioambiental enraizado na comunidade de Cabelo Seco desde 2008, entrou em uma nova fase de formação arte educadora nos últimos dois meses. Pela primeira vez, seu Coletivo AfroRaiz assumiu a coordenação de um projeto inteiro, Viva Amazônia Viva!, realizando ocinas de formação artística e plantando jardins medicinais nas escolas Irmã Theodoro (Liberdade), Paulo Freire (Novo Horizonte), Darcy Ribeiro (Liberdade) e Basílio Miguel (Amapá). Financiado pelo prêmio regional de Itaú Unicef, o projeto culminará com apresentações artísticas nas escolas e suas comunidades na última semana de abril.

Elisa Dias, Évany Valente, Katrine Neves, Camylla Alves e Reris Mendes lançam ‘Somos Amazônia’ na escola Basílio Miguel.

Paralelamente, também no dia 15, a coordenação adulta do Rios de Encontro lançará um laboratório de energia solar na Escola Municipal Claudio Pinheiro de Lima, em Moeda, Minas Gerais, a poucos minutos de Brumadinho, local da tragédia ambiental causada pela Vale, no 25 de janeiro de 2019. Artistas de Nova Zelândia, inspiradas pelos jovens de Cabelo Seco, doaram as placas para cultivar Educação pela Sustentabilidade.

Debate sobre Moeda sustentável na Câmara de Vereadores com Prefeito, Vice Prefeito, Secretarias de Educação, Assistência Social, Meio Ambiente, Presidente da Câmara, vereadores, Dan baron e Mano Souza.

“Estou super feliz que a colaboração entre AfroRaiz de Rios de Encontro e nosso projeto Conexão Afro está entrando em seu segundo ano”, disse a Professora Doelde Ferreira, da Escola Irmã Theodoro. “No ano passado, nossas apresentações na escola, na Câmara e no Shopping Pátio Marabá derrubarem preconceitos racistas e fortaleceram orgulho de ser afro-descendente e igualdade de raça”.

Gian Borba e Sol Buena da Rede Brasileira de Arteducadores cantam ‘Águas de Mina’ no lançamento eco-pedagógico do laboratório solar.

“Estamos adorando a responsabilidade”, declara Elisa Dias, de 22 anos, percussionista advogando a defesa da Amazônia desde a primeira noite do Projeto em 2009. “Nosso coletivo está transformando desaos cotidianos que professores e alunos sofrem na educação pública e nas nossas comunidades afro-indígenas. Na greve mundial nesse dia 15, vamos realizar uma celebração ambiental, apresentando as artes e plantas medicinais como armação da sabedoria amazônica em risco! E noutro lado do Brasil, nosso Projeto está lançando um laboratório de educação pela sustentabilidade!”.

Katrine Neves coordena o cultivo do ‘jardim bem viver’ na escola Darcy Ribeiro no bairro Liberdade.

Em mais de 70 países, crianças e jovens estão entrando em greve nessa sexta-feira para denunciar os responsáveis pelo aquecimento global, que vem aumentando cada vez mais, prejudicando a vida de sua geração e o futuro da Terra.
O Coletivo AfroRaiz do Projeto Rios de Encontro, junto com integrantes do projeto Conexão Afro da Escola Irmã Theodoro, convidam todos as crianças e jovens de Marabá para participar em solidariedade à nossa Amazônia, para preservar a nossa Mãe Natureza e todos seus povos do planeta.

Além da greve: placas solares no teto e parede da primeira escola de Moeda, Cláudio Pinheiro Lima, Moeda (MG).

A manifestação ocorrerá na praça do Bairro da Liberdade, iniciando as 15h30. Os participantes podem levar poemas, danças, cartazes, músicas para inspirar os políticos do mundo a assumirem sua responsabilidade adulta. “Para fazer seus deveres como nós zemos o nosso. Aquecimento global não é uma cção. Já está sendo nossa realidade e quando nos tornarmos adultos, queremos viver bem. Quem acaba com Amazônia, acaba com o ar e a chuva, os pulmões e a saliva do mundo”, alerta Elisa.

JCT 14.03.19 convite

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Jardim Bem Viver vislumbra uma Marabá verde

AfroRaiz ie quatro novas dançarinas de AfroMundi Juvenil participarem no cultivo do Jardim Bem Viver, e na Roda de 10 anos , aproximando energias naturais e culturais.

O projeto eco-cultural e socioeducativo Rios de Encontro, enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, encerrou seu 7º Festival Beleza Amazônica com o lançamento do segundo Jardim Bem Viver no PAC (no Residencial Itacaiúnas, em Cabelo Seco) do Projeto Salus, e uma Roda de Celebração dos 10 Anos. Ambos apontaram o caminho eco-social do Projeto em 2019.

AfroRaiz e Willian Monteiro, coordenador do Jardim Bem Viver, se retratem com crianças do PAC após de criar a estrutura do Jardim.

Após da construção da estrutura do jardim comunitário pelo Coletivo AfroRaiz em colaboração com 40 crianças do PAC, bem na ‘zona vermelha’ da comunidade, o Projeto Salus se juntou com a biblioteca comunitária Folhas da Vida, levando mudas de Pariri, Boldo, Castanha da Índia, Folha Santa, Hortelã, Capim-Limão, Cidreira, Malva do Reino, Maracujá, Babosa, Pimenta, Sete Dores, Manjericão, Alfavaca e Açaí, para associar o prazer de ler com o prazer de criar e se cuidar.

Biblioteca Folhas da Vida cria rodas de leitura e paz na ‘zona vermelha’.

“A saúde da comunidade é precária”, disse Manoela Souza, gestora do Projeto Salus, financiado pelo Fundo Elas, Fundo Casa, e pelo Prêmio Itaú-Unicef. “No entanto este jardim vai além do resgate dos saberes da comunidade para melhorar a saúde. Ele une saúde natural com comunidade, produção familiar, cidadania, economia comunitária, cuidado ambiental e aprendizado sobre como cultivar e manter uma cooperativa. O jardim vai embelezar e valorizar uma comunidade que sofre tanta violência social, ambiental e econômica, e busca transformar sequelas pesadas em um projeto exemplar de bem viver sustentável.”

Willian se retrata após de plantar um pé de açaí, na beira do Rio Itacaiúnas, atrás do PAC.

“Fiquei impressionante com a colaboração das crianças de minha comunidade”, disse Willian Monteiro (22 anos). “Quando passei casa em casa, convidando famílias participarem na inauguração, muitos adultos falaram: ‘este projeto não vai longe’. Na sexta, dia da construção da estrutura, crianças e adolescentes pegaram as pazinhas e suaram no sol. No sábado, saíram da biblioteca para plantar mudas, com tanto cuidado e confiança! E desde a inauguração, vem molhando as mudas e se identificando com o jardim. Vão entender bem viver na prática!”

A primeira muda a ser plantada inspirou 20 crianças criar o Jardim Bem Viver.

Nas reuniões com o Comandante da Polícia Militar, Sidnei Profeta, na quinta feira, e com o Secretario de Educação, Luciano Lopes Dias, na sexta-feira, para avançar o projeto de receber placas solares doadas para abastecer o quartel e escolas municipais, Dan Baron, coordenador do Rios de Encontro, destacou o significado maior do Jardim Bem Viver. “É importante que o projeto surja da própria sabedoria, necessidade e gestão da comunidade. Assim, gera uma cultura de auto-respeito, autonomia, saúde e produção de renda, cultivando valores humanos e cuidado socioambiental. Ambos gestores entenderem tudo.”

Melissa, dançarina com AfroMundi Infantil, virou liderança no plantio.

Dan Baron continua. “O Secretário reconhece que muitas escolas enfrentem dificuldades em sustentar a motivação de professores e alunos criarem uma horta, apesar que oferece uma oportunidade pedagógica excelente para estudar ciência, geografia e história. Eu propôs que se uma escola apoie um jardim comunitário, valorizaria sabedoria e dedicação populares, enraizaria a educação formal em cultura comunitária, e aproximaria a escola e a família numa forma transformadora. Nenhum projeto de segurança policial ou turismo ecológico alcança esta formação e governança comunitária.”

A Polícia Militar e Educação Municipal serão parceiras principais no projeto Cidade Verde que Rios de Encontro vai incentivar com cidades verdes na Alemanha, Bélgica e Portugal através de sua turnê internacional na Europa em 2019.

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Festival lança jardim bem viver

Rerivaldo Mendes ajuda a coordenar uma oficina de ritmos-afro na escola Irmã Theodora, rumo à Semana de Consciência Negra.

O VII Festival Beleza Amazônica, realizado pelo projeto Rios de Encontro enraizado na comunidade Cabelo Seco, encerra sua terceira semana de programação com uma sessão especial de cinema comunitário, o lançamento de segundo jardim medicinal, e duas apresentações solidárias de seu Coletivo AfroRaiz.

Professora Doelde, coordenadora do projeto Conexão Afro, o Coletivo AfroRaiz e Sandra da Unicef se retratem depois de uma oficina na escola Irmã Theodora.

Desde dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, o festival realizou ensaios abertos e apresentações do espetáculo Conhecendo África, dedicadas aos 21 Dias de Ativismo promovidos pelo Fundo “Fale Sem Medo”, do Fundo Elas, Instituto Avon e ONU Mulheres sobre o fim da violência contra mulheres, em particular, adolescentes negras. “Este processo de alfabetização cultural valorizou o protagonismo feminino afro-raiz em colaboração com a Escola Irmã Theodora”, disse Manoela Souza, gestora cultural do festival. “Essa segunda fase é dedicada à saúde integral, com a distribuição de mudas de plantas medicinais e a celebração de energias vitais com jovens artistas de dança e violão.”

AfroRaiz e AfroConnect se apresentam juntos na escola Irmá Theodoro, Marabá.

“A segunda dimensão do festival de 2018, Bem Viver AfroRaiz, foi iniciada ontem”, disse Elisa Neves (21 anos), coordenadora do projeto Salus. “Produzimos e distribuímos mais de 100 mudas de plantas tradicionais, gratuitas, na comunidade, para incentivar moradoras com saúde precária, resgatarem seus quintais de cultura de sabedoria medicinal, e largarem remédios químicos que geram somente dependência e fraqueza.”

Dançarinas Camylla Alves e Katrine Neves produzem mudas junto com Évany Valente no jardim medicinal em Cabelo Seco.

Num Cine Coruja Especial, na quinta, no dia 13, às 19h, vídeos sobre o projeto Salus vão antecipar o filme surpresa da África. Na sexta, dia 14, as 20h30, numa noite cultural no final do encontro estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Salus vai distribuir mudas como parte da celebração da coragem e persistência do MAB na defesa da maior tecnologia de vida sustentável no mundo, a Amazônia.

Percussionistas Elisa Neves, Evany Valente e Reris Mendes levam a feira de Salus nas ruas de Cabelo Seco, junto com a bicirádio solar.

No sábado dia 15, às 16h, o projeto Salus inaugurará seu segundo jardim medicinal comunitário, no PAC, território de tanto descuido estadual, também conhecido como a “zona vermelha”, por causa de tantos tiroteios entre traficantes, e assassinatos de inocentes.

Moradoras de Cabelo Seco se retratem com mudas do jardim medicinal, entregas por dançarinas Camylla e Katrine de AfroRaiz.

“O jardim será cuidado pelas moradoras do PAC”, explica Évany Valente (19 anos), co-coordenadora do projeto. “Assim, tornará um lar de cicatrização, cidadania, e eventualmente, produção de renda comunitária. Vamos encerrar o festival com dança, percussão e violão, as 19h, no PAC, depois do lançamento do jardim. Este ano, priorizamos o PAC para se solidarizar com famílias dos jovens assassinados e valorizar a busca de bem viver de cada família. Na nossa experiência, as artes, não as armas, transformam zonas vermelhas em ruas de paz, confiança e comunidade.”

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Jovens afro-raíz afirmam escola com futuro

A turma de Conexão Afro se retrata com AfroRaiz na Galeria do Povo, em Cabelo Seco.

Rios de Encontro, o projeto eco-cultural e socioeducativo enraizado na comunidade Cabelo Seco desde 2008, encerrou na sexta feira passada um projeto inovador, na escola EMEF Irmã Theodora, no bairro Liberdade. Coincidiu com a publicação do projeto no site Atlas do Futuro 2018 (https://atlasofthefuture.org/brazils-rivers-of-creativity-futureleague-rios-de-encontro/), selecionado pelo Conselho Britânico e a Universidade de Goldsmiths em Londres, e com a confirmação que seu Coletivo de dança-percussão Afro-Raiz realizará uma turnê pela Europa de 10 semanas no segundo semestre de 2019.

O Coletivo AfroRaiz e turma ensaia ‘Conhecendo África’ na escola. AfroRaiz foi premiado pela Itaú Unicef em novembro 2018 por sua energia sustentável ‘gira sol’.

“Este projeto superou todas minhas expectativas”, elogiou a Professora Doelde Ferreira, colaboradora com Rios de Encontro desde 2014. “Criamos o projeto Conexão Afro para transformar preconceitos racistas na escola em uma celebração de nossas raízes Afro. Realizamos oficinas de adereços, turbantes, brincos e pulseiras usando materiais reciclados, coordenadas pela arte educadora Carol Nascimento. Mas o projeto continuou no canto da escola, cercado pelo preconceito de “macumba”. Em dez oficinas de dança-percussão com os jovens de AfroRaiz, o projeto alcançou a escola inteira, transformando timidez e vergonha em orgulho e autoconfiança! AfroRaiz virou nossa referência!”

Os jovens ensaiam ‘Conhecendo África’ na Casa dos Rios em Cabelo Seco.

Os jovens de AfroRaiz ensinaram ritmos através de brincadeiras com a boca e corpo, antes de passar três coreografias de Guine Bissau. “Adaptamos nosso aprendizado com o Coletivo Abayomi de Florianópolis”, disse Camylla Alves, 23 anos, coordenadora de dança. “Já repassamos tudo para Cabelo Seco, mas pela primeira vez, realizamos um projeto inteiro numa escola.”

Os jovens colanboradores se retratem no encontro dos Rios Tocantins, Itacaiúnas e Araguaia na Orla de Cabelo Seco.

“Sinto orgulhosa que depois de 10 anos de formação artístico-pedagógica, nossos jovens assumiram o planejamento e a realização da colaboração,” disse Manoela Souza, coordenadora de Rios de Encontro. “Cuidaram das diversas motivações do grupo e da organização de equipamento e transporte. A responsabilidade fortaleceu o coletivo e mostrou a capacidade de liderança dos jovens.”

A colaboração afro-raiz se retrata na Camara dos Vereadores após a apresentação.

O processo culminou com a apresentação “Conhecendo África” na Semana de Consciência Negra, no palco do Shopping, na Escola Josinelde Tavares, na própria Irmã Theodoro e na Câmara dos Vereadores. Numa roda final de reflexão após a apresentação na escola, os 28 alunos destacarem prazer, libertação e a transformação da escola em um espaço de encantamento. “O que me impressionou”, disse Rerivaldo Mendes, percussionista de 23 anos, “foi a coragem de apresentar na Josineide Tavares, sem tambores, sem nós, usando a boca e palmas como ritmo para manter as coreografias!”

AfroRaiz mobiliza energias quilombolas na plenária da Defesa da Educação Pública na Unifesspa.

“Espero que ninguém mais vai alisar e pintar seus cabelos ou sentir vergonha”, disse Elisa Neves, 21 anos, percussionista em AfroRaiz. “Na escola, era danada”, disse Camylla. “Resgatando minha raiz-afro me deu confiança, trouxe reconhecimento e respeito, na escola, na rua, nas instituições da cidade.” Évany Valente, percussionista de 19 anos, agradeceu: “Com vocês, aprendi que tenho paciência para ensinar!”

AfroRaiz assista a mesa de abertura da roda da Frente Popular.

“A colonização e escravidão plantaram séculos de auto-ódio, medo e vergonha de cumplicidade”, disse Dan Baron, coordenador geral do Rios de Encontro. “Essas energias escondidas tem licença pela primeira vez de se expressar no WhatsApp e Facebook. Mas mais grave, são exploradas por políticos e grandes empresários para lucrar e promover uma sociedade autoritária. AfroRaiz, e sua capacidade transformadora na escola, é fruto de dez anos de descolonização destas sequelas auto-destrutivas. Investimento neste tipo de projeto juvenil, não em armas e disciplina militar, gera auto-respeito e cidadania.”

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